Grande parte das peças roubadas, algumas pertencentes ao património nacional de França, provém da Manufatura de Sèvres, uma histórica fábrica de porcelana pertencente ao Estado francês desde 1759. Homem acabou detido pelas autoridades francesas

Um funcionário do Palácio do Eliseu, em Paris, responsável pela gestão e conservação da prataria presidencial, foi detido pelas autoridades francesas por roubar utensílios de mesa avaliados em quase 40 mil euros, que depois tentava vender em plataformas de leilão online, como a Vinted.

Segundo os investigadores, o funcionário aproveitou as funções que desempenhava na residência oficial de Emmanuel Macron para retirar peças de prata e porcelana, algumas classificadas como património nacional. No total, três pessoas foram detidas no âmbito da investigação.

O jornal The Guardian, noticia que o alerta partiu do chefe de serviços do Palácio do Eliseu, que deu conta do desaparecimento de vários objetos. A investigação avançou depois de funcionários reconhecerem algumas dessas peças à venda em sites de leilões online. O valor total dos itens furtados ronda os 40 mil euros.

Grande parte das peças roubadas provém da Manufatura de Sèvres, uma histórica fábrica de porcelana pertencente ao Estado francês desde 1759. As autoridades começaram então a interrogar funcionário do Palácio Eliseu, acabando por deter o responsável pela prataria e dois alegados cúmplices.

De acordo com os investigadores, a conta do funcionário na Vinted incluía objetos pouco comuns no mercado, como um prato com a inscrição “Força Aérea Francesa” e cinzeiros marcados com o selo da Manufatura de Sèvres. Na sequência das buscas, foram recuperados cerca de 100 objetos na casa, no carro e no cacifo pessoal do suspeito, incluindo porcelana de Sèvres, uma estatueta de René Lalique, taças de champanhe Baccarat e panelas de cobre.

Os promotores referem ainda que os registos de inventário feitos pelo funcionário agora detido sugerem que este estaria a planear novos furtos. A função que desempenhava implicava precisamente guardar, armazenar e assegurar a manutenção de utensílios usados pelos presidentes franceses, chefes de Estado estrangeiros e membros da realeza durante as visitas oficiais.

Os três arguidos compareceram em tribunal a 18 de dezembro e o julgamento está marcado para 26 de fevereiro. Até lá, ficam sujeitos a supervisão judicial, proibidos de contactar entre si, de frequentar leilões e de exercer as suas atividades profissionais.

Todos os objetos recuperados já foram devolvidos ao Palácio do Eliseu, num desfecho mais positivo do que noutros casos recentes no país. O Louvre, por exemplo, continua sem recuperar joias da coroa avaliadas em cerca de 88 milhões de euros, roubadas numa operação à luz do dia em outubro, apesar da detenção de quatro suspeitos.

Nos últimos meses, outras instituições francesas também foram alvo de furtos de grande dimensão. Em setembro, o Museu de História Natural de Paris perdeu seis pepitas de ouro avaliadas em cerca de 1,5 milhões de euros, enquanto um museu de porcelana em Limoges ficou sem peças chinesas avaliadas em 6,55 milhões de euros. Já em outubro, cerca de 2 mil moedas de ouro e prata, no valor aproximado de 90 mil euros, desapareceram da Maison des Lumières, em Langres, dedicada ao filósofo Denis Diderot.