A Fórmula 1 esteve em declínio: perdeu estrelas, patrocinadores e audiências. Mudou de vida, reinventou-se e a nova fórmula resultou: agora, é uma máquina de fazer dinheiro e está a chegar a Portugal. O especialista em marketing desportivo estima impacto económico superior ao apontado pelo Governo.
A Fórmula 1 chegará em Portugal em 2027 num “pico tremendo”, após alguns anos em que parecia que a modalidade estava decadente, com o afastamento de grandes pilotos, patrocinadores e de audiências. A prova-rainha do desporto motorizado reformulou-se, entendeu o contexto digital em que precisava de operar e acelerou à conquista de novas audiências. A nova fórmula resultou: a modalidade transformou-se numa máquina de fazer dinheiro.
É com esteja tremenda pujança que a Fórmula 1 chega a Portugal em 2027 e 2028. Daniel Sá, diretor executivo do IPAM e especialista em marketing desportivo, diz ao JE que o país tem aqui uma excelente oportunidade para se estabelecer no calendário da prova e que o circuito de Portimão tem adrenalina o suficiente para se diferenciar no circo da Fórmula 1. Sobre o impacto económico, Daniel Sá acredita que o país pode sentir algo entre 100 e os 200 milhões de euros, uma soma modesta quando se sabe que outras provas do mesmo calendário garantem retornos de 900 milhões.
Esta organização vai ser benéfica para a economia nacional?
Estou em crer que sim. Vale a pena recordar que há uns anos a Fórmula 1 esteve num cenário de decadência, de perda de estrelas, espectadores, patrocinadores e de audiências mas de há uns anos para cá que o projeto a volta. Estamos a assistir neste momento a uma nova fase da vida da Fórmula 1 e isso tem resultado em pleno. Temos a famosa série “Drive to Survive” que foi possível um novo impulso e uma nova vida da “Fórmula 1” que neste momento está num pico tremendo.
E que significado tem para Portugal fazer parte desta elite?
No contexto atual da “Fórmula 1”, não tenho grandes dúvidas em afirmar que são ótimas notícias.
Em 2020 e 2021, tivemos a Fórmula 1 em Portugal, num contexto de pandemia. Essas duas provas foram fundamentais para apresentar o traçado que é conhecido entre pilotos e equipas como a “montanha-russa”. Portanto, temos aqui um traçado diferenciado e uma marca de água para a prova portuguesa?
Creio que o segredo está aí e este circuito deixa a sua marca. O circuito do Mónaco é um bom exemplo de diferenciação que é um traçado com uma marca indelével, temos provas noturnas também mas o que a Fórmula 1 procura neste momento é alguma diversidade nas provas. Algum conceito diferente quer pelos trajetos, quer pelas cidades e países que acolhem estes Grandes Prémios. Portugal acrescenta a adrenalina do circuito a este nova lógica e é bom que o Grande Prémio ganhe consistência e que fique muitos e bons anos neste circuito de elite.
O Governo estima um impacto económico nunca inferior a 140 milhões por prova. É um valor realista ou ainda é difícil fazer essa contabilização?
Parece-me uma soma razoável mas provavelmente colocaria essa fasquia entre os 100 milhões e os 200 milhões de euros de impacto económico para Portugal. No contexto da Fórmula 1, vejo aqui dois tipos de realidade em termos de impacto económico: os três Grandes Prémios que se realizam nos EUA (onde à boa maneira americana é tudo maximizado, com música, moda, cinema; um mercado muito maduro) e têm impactos que estão entre os 500 milhões e os 800 milhões de euros; depois temos os Grandes Prémios árabes e asiáticos (com Singapura a ter um retorno de 900 milhões de euros) que atraem sobretudo espectadores internacionais. Estas são as provas que mais retorno geram no circuito mundial. Estando numa região muito desenvolvida turisticamente, temos capacidade na organização de grandes eventos desportivos, parece-me que o objetivo do Governo é alcançável.
Fala-se de um investimento de 50 milhões de euros. Será sempre um bom investimento?
Do ponto de vista da troca direta entre o que se investe e o impacto económico esperado, creio que é uma boa aposta. Acrescenta-se a isso a visibilidade mediática que é sempre um aspeto que não se consegue contabilizar de forma imediata mas uma coisa é certa: neste momento, a Fórmula 1 é uma prova com transmissão para 200 países, com centenas de milhões de espectadores a assistir e, como sabemos, não se limita às duas horas da prova. Temos sempre os dias antes e os dias depois e um efeito de muito conteúdo que dura durante vários meses ao longo do tempo. Tudo isto coloca o nome de Portugal na boca do mundo e vale dinheiro.