A presença de ecrãs tácteis nos veículos modernos tornou-se quase inevitável. Estes sistemas permitem controlar a navegação, climatização, multimédia e outras funções essenciais do automóvel. No entanto, apesar da sua conveniência, um estudo da Universidade de Washington em colaboração com o Instituto de Investigação da Toyota revelou que a interacção com ecrãs tácteis durante a condução pode comprometer seriamente a segurança rodoviária.

O estudo — Ecrãs tácteis em movimento: Quantificação do impacto da carga cognitiva nos condutores distraídos — demonstrou uma interferência significativa entre a condução e a utilização do ecrã táctil.

Durante a condução, a eficiência na utilização do ecrã diminuiu mais de 58,1% e o desvio lateral do veículo na faixa de rodagem aumentou 41,9% quando os participantes interagiam com o ecrã.

À medida que a carga cognitiva — o nível de esforço mental — do condutor aumentava, os movimentos das mãos tornavam-se mais lentos. Os participantes demoravam mais tempo a tocar nos botões do ecrã e realizavam menos acções por segundo, com interacções mais lentas ou menos eficientes, embora mantendo a precisão.


Para além disso, os condutores reduziram em cerca de 26% o tempo de olhar para o ecrã, passando mais tempo focados na estrada, numa tentativa instintiva de proteger a tarefa principal — a condução — limitando o envolvimento visual com tarefas secundárias.

Os investigadores observaram ainda que, sob maior sobrecarga mental, os participantes alcançavam os controlos antes de olhar para eles, indicando que já tinham uma noção aproximada da posição dos botões. Este padrão, identificado em 71,9% dos movimentos, foi designado “mão antes do olhar”.

O estudo contou com 16 participantes, que utilizaram um simulador de condução enquanto realizavam operações no ecrã táctil e tarefas que simulavam exigências cognitivas do mundo real que exigiam atenção visual, manual e mental simultânea, como ajustar o áudio, fazer uma chamada, ou enviar mensagens.


Foi avaliado o esforço mental dos participantes, movimentos oculares, actividade electrodérmica — indicador do nível de esforço mental e stress —, acções das mãos e dos dedos, desempenho na interacção com o ecrã (em termos de rapidez e precisão), e desempenho na condução, através do controlo da direcção e do pedal.

Para tornar os ecrãs tácteis mais intuitivos e reduzir a distracção visual, os investigadores sugerem feedback sonoro ou táctil para indicar a selecção dos alvos. O estudo recomenda, para aumentar a segurança, interfaces mais inteligentes com acesso directo às funções mais usadas pelos condutores, alvos maiores ou com maior contraste e sistemas sensíveis à carga cognitiva, que, através de sensores como rastreio ocular ou toque no volante, detectem esforço elevado e restrinjam temporariamente funções não essenciais ou alertem o condutor para voltar a focar-se na estrada.