A Thinking Heads iniciou a sua atividade em Portugal no final de 2025 e já organizou mais de 30 eventos no país e inseriu mais de 50 portugueses na rede de mais de 5 mil oradores que esta tem. A CEO da consultora de comunicação AMP Associates e líder da Thinking Heads Portugal, Rita Serrabulho, revela, em conversa com o Jornal PT50, algumas ideias sobre o que é ser um líder, o que isto envolve e que características vão ser cada vez mais necessárias.
Com um forte ‘background’ na capacitação para comunicação de líderes, Rita Serrabulho explica que a contratação de oradores – área em que a Thinking Heads atua – era uma lacuna do mercado, cada vez mais evidente pela concentração de eventos no país, algo que, aponta, passa despercebido à maioria da população. “Apesar, provavelmente, da sociedade em geral não se dar conta, Portugal está no top 5 dos organizadores de eventos a nível mundial”, destaca.
Entre várias questões sobre liderança e quais as perspetivas futuras sobre esta área e o mercado de trabalho, Rita Serrabulho indica que a ambição é algo necessário para vingar profissionalmente, mas que nem todas as pessoas têm perfil ou vontade para serem líderes. “Há pessoas que não querem ser líderes. Estão orientadas para fazer aquilo que fazem muito bem e não deixam de ser ambiciosas na mesma” ou de quererem “evoluir constantemente”.
Vai até mais longe e afirma que existe um problema de falta de ambição no país e que uma ambição “diferente” por parte dos portugueses poderia ter levado a que Portugal fosse mais “robusto” e “competitivo” do ponto de vista económico. No que diz respeito às gerações mais novas, acredita que têm “mais mundo, porque estão mais obrigadas a ir para fora e, portanto, torna-os mais competitivos e conhecedores daquilo que está a acontecer de uma forma global”.
Contudo, aponta que “falta-lhes a vontade de voltarem ao seu país e aplicarem esse conhecimento” por cá. Deixa a nota, no entanto, de que “o país também tem de fazer a sua parte” e dar o “retorno” sobre o que têm para oferecer.
Ainda no tópico dos mais novos e, mais especificamente, sobre a retenção do talento mais jovem nas empresas, Rita Serrabulho defende que o principal erro cometido por líderes de organizações neste âmbito é a falta de oportunidades para que estes participem nos processos de decisão. “É algo que os jovens hoje em dia ambicionam. Eles querem fazer parte do processo e querem fazer parte da decisão”, reitera.
E é também isto, argumenta, que leva os jovens a procurar oportunidades fora do país. “Aqui, as organizações estão muito mais hierarquizadas, [os jovens] não são chamados para a discussão, não são ouvidos e, portanto, isso acaba por criar uma desmotivação generalizada”, critica. Mais ainda, acredita que, na generalidade, os líderes em Portugal ainda não se aperceberam desta questão.
Acrescenta que, dentro da Thinking Heads, uma das áreas mais procuradas é precisamente esta, em que levam oradores às organizações para estes explicarem como lidar com ‘gaps’ geracionais dentro das mesmas.
Dentro daquilo que é o futuro das organizações e da liderança das mesmas, é impossível fugir à influência que a Inteligência Artificial (IA) vai ter. A CEO da AMP Associates acredita que esta será um complemento e não um obstáculo. Contudo, alerta que esta “não vai substituir aquilo que é o fator humano”.
O conhecimento que é possível adquirir através de IA vai ser, acredita, complementado com a componente humana, que vai acrescentar valor com a análise e interpretação de dados, por exemplo.
Neste sentido, e com a ascensão da importância da IA e de “um tempo onde começa a ser difícil distinguir aquilo que é verídico”, Rita Serrabulho considera que um “bom conjunto de ‘soft skills’” vai ser necessário para um líder do futuro, “que é precisamente aquilo que vai complementar a máquina”. “Se tivermos líderes que apenas se baseiam naquilo que é desenvolvido com base em números e análises, não serão necessários, porque as máquinas fazem isso”, argumenta.
Questionada sobre qual a característica mais necessária para um líder do futuro, acredita que é a mesma de agora: autenticidade. “Um processo de comunicação, quanto mais autêntico for, mais capacidade tem de ter impacto, porque a comunicação só se consegue ou por emoção ou por repetição”, assegura. Esta é a qualidade que vai permitir distinguir entre a pessoa e a máquina, pois “as pessoas conseguem perceber quando é que um líder está efetivamente a ser genuíno”.
As ambições da Thinking Heads Portugal
“Este ano foi o da estruturação”, esclarece Rita Serrabulho, acrescentando que “a expectativa para 2025 não era tanto uma expectativa financeira, mas de conseguir estruturar a Thinking Heads Portugal, através de uma divulgação massiva” para que o mercado ficasse a saber que este serviço existe agora.
Garante ainda que a organização já atingiu “amplamente” e “rapidamente” os seus objetivos estabelecidos para 2025. Para 2026, adianta que já tem “muitos eventos e muitos oradores contratados para o primeiro semestre”. Ainda sobre 2026, acredita que será o ano em que espera que “o negócio em si já gere receitas para nós e para os nossos parceiros de forma significativa”. Não adianta números específicos, justificando que os orçamentos ainda não estão fechados.
Questionada sobre um possível número desejado de oradores contratados no próximo ano, indica que “não é possível projetar”, pois depende da dinâmica do mercado. Em vez destes números, Rita Serrabulho prefere uma análise mais qualitativa e reforça que o objetivo é colocar os especialistas portugueses, nas mais variadas áreas, no “palco internacional” e partilharem conhecimento.