Não era a despedida do ano, mas era a despedida do Estádio da Luz. Contra o Famalicão, o Benfica fazia o último jogo em casa em 2025 — um ano que teve a desilusão do Campeonato e da Taça de Portugal, o regresso de José Mourinho depois da saída de Bruno Lage e as eleições mais concorridas de sempre num clube de futebol, que reforçaram Rui Costa. A ideia desta segunda-feira, portanto, era cumprir a despedida da Luz com uma vitória.

Sem perder há oito jogos e vindo de três vitórias consecutivas, o Benfica parece ter finalmente encontrado a estabilidade que José Mourinho sempre disse que ia aparecer. Entre as primeiras vitórias na Liga dos Campeões, o empate com o Sporting e os apuramentos na Taça da Liga e na Taça de Portugal, os encarnados alcançaram uma qualidade exibicional inédita na atual temporada e reergueram o astral de toda a gente à volta do clube. O treinador português, ainda assim, era realista dentro do otimismo.

Ficha de jogo

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Benfica-Famalicão, 1-0

15.ª jornada da Primeira Liga

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: André Narciso (AF Setúbal)

Benfica: Trubin, Amar Dedic, Tomás Araújo (António Silva, 56′), Otamendi, Samuel Dahl, Enzo Barrenechea, Richard Ríos, Gianluca Prestianni (Manu Silva, 87′), Fredrik Aursnes, Sudakov (Rodrigo Rêgo, 81′), Pavlidis (Ivanovic, 81′)

Suplentes não utilizados: Diogo Ferreira, Rafael Obrador, Schjelderup, João Rego, Tiago Freitas

Treinador: José Mourinho

Famalicão: Lazar Carevic, Rodrigo Pinheiro, Justin de Haas, Léo Realpe, Rafa Soares (Simon Elisor, 69′), Mathias de Amorim (Antoine Joujou, 69′), Tom van de Looi, Gil Dias, Gustavo Sá, Sorriso (Roméo Beney, 80′), Yassir Zabiri

Suplentes não utilizados: Ivan Zlobin, Gustavo Garcia, Marcos Peña, Otar Mamageishvili, Ibrahima Ba, Pedro Santos

Treinador: Hugo Oliveira

Golos: Pavlidis (gp, 34′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Justin de Haas (33′)

“A equipa cresce, também temos alguns jogadores que eles próprios estão a melhorar, não só a nível da autoconfiança, mas também ao nível de identificação com o processo de jogo. Acho que a equipa está num bom momento, sim, mas o que repito aos jogadores é que os bons resultados têm chegado como consequência de muito trabalho, muita concentração, não por obra do acaso. Se entramos num jogo, como por exemplo contra o Famalicão, a pensar que ‘só’ o bom momento vai levar-nos à vitória, erramos. Temos de encarar o jogo da mesma forma que temos feito”, atirou Mourinho, que voltou a saltar a habitual conferência de imprensa de antevisão e só falou à BTV.

Assim e ainda sem contar com Leandro Barreiro, apesar de ter referido que o médio estaria recuperado, Mourinho apostava em Prestianni, Aursnes e Sudakov no apoio mais direto a Pavlidis, com Tomás Araújo a manter-se ao lado de Otamendi em detrimento de António Silva. Do outro lado, num Famalicão que ainda não tinha perdido fora de casa para o Campeonato mas vinha da eliminação na Taça de Portugal às mãos do FC Porto, Hugo Oliveira tinha Yassir Zabiri como referência ofensiva.

O Famalicão entrou melhor, ainda que sem criar verdadeiras situações de perigo. Os famalicenses demonstravam a agressividade que os caracteriza tanto com bola como sem ela, sem se deixarem intimidar pela Luz ou pelo adversário, e não foi preciso esperar muito para perceber que o Benfica iria ter de se manter defensivamente organizado para controlar a qualidade ofensiva da equipa de Hugo Oliveira.

Ainda assim, o primeiro remate do jogo pertenceu a Sudakov, que atirou ainda de longe para Lazar Carevic defender (11′), e o momento acabou por significar também uma viragem na dinâmica da partida até aí. Os encarnados cresceram a partir do quarto de hora, passando a atuar quase por inteiro no meio-campo contrário e empurrando o Famalicão para trás — ainda que obrigados a um verdadeiro jogo de paciência face à competência defensiva adversária.

Pavlidis rematou muito ao lado já na área (20′), Samuel Dahl ficou muito perto de abrir o marcador com um pontapé rasteiro que Carevic defendeu (25′) e o Benfica acabou mesmo por marcar pouco depois. Otamendi ficou no chão na sequência de um lance com Justin de Haas na área, André Narciso começou por nada assinalar mas acabou por ser chamado pelo VAR, assinalando grande penalidade. Pavlidis não tremeu, converteu e inaugurou o resultado (34′).

Os encarnados procuraram colocar algum gelo no jogo depois do golo, com mais bola, menos velocidade e maior tranquilidade, mas os famalicenses buscaram reagir e chegaram a ficar perto do empate já nos descontos, com um remate desviado de Tom van de Looi a passar ao lado da baliza de Trubin (45+3′). Ao intervalo na Luz, contudo, o Benfica estava mesmo a vencer o Famalicão pela margem mínima.

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e o jogo voltou para a segunda parte como tinha terminado a primeira, com o Benfica a controlar de forma genérica e o Famalicão sem argumentos para reagir de forma concreta. Amar Dedic ficou perto de aumentar a vantagem com um remate de fora de área que passou ao lado (54′) e José Mourinho foi forçado a realizar a primeira substituição logo a seguir, face a uma aparente indisposição de Tomás Araújo, lançando António Silva.

Os famalicenses tiveram a melhor ocasião até então ainda antes da hora de jogo, com Zabiri a rematar forte de longe para Trubin defender (57′), e Aursnes respondeu do outro lado com um pontapé na área que Carevic também parou (65′). Hugo Oliveira mexeu nesta fase, colocando Simon Elisor e Antoine Joujou e motivando a descida de Gil Dias para a esquerda da defesa, e os encarnados começaram a atuar mais na expectativas, aproximando os setores para defender a magra vantagem e atacando quase exclusivamente em transição rápida.

Prestianni ia marcando precisamente na sequência de um lance muito veloz, atirando cruzado na área para Carevic defender (78′), e Mourinho colocou Ivanovic e Rodrigo Rêgo já dentro do últimos dez minutos antes de também lançar Manu Silva, terminando o jogo com três médios e um meio-campo reforçado para fazer face ao último fôlego do adversário. Até ao fim, porém, já nada mudou.

O Benfica venceu o Famalicão na Luz, somou o quarto triunfo consecutivo em todas as competições e garantiu que pelo menos mantém as distâncias para FC Porto e Sporting, sendo que os leões só entram em campo esta terça-feira. Num dia mais a preto e branco, em que os encarnados dedicaram a segunda parte essencialmente a resguardar a vantagem e não necessariamente a alargá-la, Prestianni foi claramente o melhor elemento em campo e mostrou que os verdadeiros artistas aparecem até no meio do cinzento.