Muitas histórias são contadas de diferentes formas, seja em vídeo, na escrita ou na oralidade. Mas, hoje, com o avanço da tecnologia, narrativas que antes poderiam parecer comuns ganham um novo formato: o da animação. Foi assim que Beatriz Ciarnuto Souza, de 30 anos, escolheu contar a trajetória de sua família – assista ao vídeo.
A ideia surgiu em um momento que tinha como objetivo homenagear os pais, que, após muitos anos, decidiram se reunir. Segundo Beatriz, os irmãos acabaram se distanciando depois da morte da matriarca da família, e os encontros familiares deixaram de acontecer.
Com a data marcada para 25 de outubro deste ano, eles alugaram uma chácara em Valinhos, cidade a cerca de 20 minutos de Campinas. Com tudo definido, começaram os preparativos:
“No grupo das primas, uma delas deu a ideia de passar alguns slides de cenas deles em formato de animação. Iria ter a cena animada e uma das primas contaria a história no microfone. Então eu perguntei no grupo: ‘Por que não animar essa imagem e fazer um filme?’”,
conta Beatriz.
Depois da ideia, começaram as pesquisas para que o projeto saísse do “papel” e fosse tomando forma.
“A Flor do Sertão”
Para reunir as histórias dos avós e produzir o filme intitulado “A Flor do Sertão”, começou uma verdadeira missão. De forma secreta, as primas passaram a coletar relatos dos pais para a criação do roteiro.
“Foi algo bem difícil. Percebemos que eles tinham muitos traumas do passado e, em alguns casos, foi muito complicado encontrar uma história que fosse leve de se contar. Mesmo assim, íamos trocando ideias no grupo das primas e alinhando as informações”, relembra a produtora.
Ficou decidido que o vídeo contaria uma fase da vida de cada um dos irmãos. Cada filha ficou com o compromisso de pesquisar, de forma discreta, um momento marcante da vida do pai e da mãe.

Giliane Souza, de 40 anos, sobrinha mais velha, cresceu ouvindo detalhes dessas histórias e ajudou no processo. “A gente ia trocando figurinhas e passando o máximo de detalhes possível para a Beatriz ir colocando no vídeo”, explica.
Em um dos relatos, após muita insistência da filha, um dos tios chegou a chorar ao contar a própria história de vida.
Para a produção, Beatriz utilizou ferramentas como ChatGPT, Gemini, Grok, Canva e CapCut. Segundo ela, o vídeo levou mais de 30 horas para ficar pronto.
De psicóloga a videomaker
Antes de iniciar a produção do vídeo, Beatriz atuava como psicóloga. O filme sobre a história da família foi sua primeira experiência no audiovisual. Em um momento de transição de carreira, iniciado em janeiro de 2025, ela decidiu se tornar videomaker.
“Do meio do ano em diante, eu decidi focar mesmo em me tornar videomaker mobile, mas eu geralmente filmava imóveis para corretores, algumas festas infantis e eventos familiares”, explica.
Beatriz Ciarnuto Souza, de 30 anos, produtora da animação
Viralização e mudanças na rotina
O dia da exibição chegou. Com toda a família reunida, além de apresentar o filme, Beatriz decidiu gravar a reação dos parentes ao assistirem à produção. De forma despretensiosa, publicou o vídeo no TikTok. Para sua surpresa, o conteúdo viralizou e ultrapassou 7 milhões de visualizações.
“Fiquei muito assustada. Foi desesperador receber, no início, uma quantidade enorme de mensagens, mas o carinho das pessoas nos comentários também foi muito acolhedor. Foi muito legal ver a reação de todos os tios. Eles ficaram muito felizes, e as primas mandavam vídeos deles sendo flagrados assistindo ao filme várias vezes no dia”, relata.
Segundo Beatriz, alguns tios chegaram a contar que foram abordados por pessoas na rua que disseram ter visto o vídeo nas redes sociais. Outras tias quiseram recompensá-la de alguma forma, e a sobrinha chegou até a ganhar presentes.

“Fizemos tudo com muito carinho, para que marcasse a vida deles e para que pudessem ressignificar toda a vivência do passado. Sentimos que esse objetivo foi alcançado”, afirma.
E quem pensa que parou por aí está enganado. A viralização trouxe mudanças significativas para a rotina e a vida profissional de Beatriz. Com o sucesso, ela passou a ser contratada para produzir vídeos contando a história de outras famílias.
“Por umas duas semanas seguidas, eu trabalhei praticamente todos os dias, das 7h às 23h”, conta.
Após a repercussão, ela já soma mais de 30 projetos marcados até janeiro.
“A demanda aumentou muito. Tive que me organizar para chamar uma pessoa para me ajudar com as respostas nas redes sociais e estou treinando outra para me auxiliar na produção. Já produzi e entreguei nove projetos do mês passado para cá, e ainda faltam os de Natal e Ano Novo. Para o ano que vem, tenho uma lista com mais de 20”, explica.
Com a agenda cheia, Beatriz precisou se reorganizar para produzir dois vídeos por semana e dar continuidade aos trabalhos que já realizava antes da viralização. Com a alta demanda, também treinou outra pessoa para trabalhar com ela.
“As pessoas já chegam no chat contando as histórias delas, e parte o coração não poder atender todo mundo por falta de tempo. Eu sei o quanto a repercussão do vídeo foi importante para a minha família e queria que mais pessoas pudessem sentir isso com as delas”, diz.
Com todo o sucesso, a psicóloga agora pensa em transformar a produção de vídeos em um negócio mais sólido.
Além da história da própria família, outros vídeos também estão viralizando. “Pelo que entendo de redes sociais, conteúdos familiares fazem as pessoas ficarem e consumirem. Pelos comentários que consigo ler, vejo que muita gente se identifica com as histórias. Os passados se encontram em algum momento: na dor, na perda, na vida difícil, na superação”, reflete.
Risos, choros e emoção durante o encontro
Risos e lágrimas marcaram o encontro da família no interior de São Paulo. Emocionados, ao final da exibição, os irmãos se abraçaram e agradeceram uns aos outros por tudo o que viveram juntos.
“Isso foi lindo e não tem preço que pague viver esse momento com eles”, finaliza.
Do Nordeste à terra campineira
O vídeo começa contando a história de José Martins Souza e Josefa Otávio, que deixaram o Nordeste e construíram a própria trajetória no interior paulista, dando início a uma narrativa que uniu passado, memória e emoção.
Hoje, são 10 irmãos vivos (cinco acabaram falecendo ainda bebês) e 33 primos e primas, que se reuniram no evento.

Fique ON
Quer ficar ligado em tudo o que rola em Campinas? Siga o perfil do acidade on Campinas no Instagram e também no Facebook.
Receba notícias do acidade on Campinas no WhatsApp e fique por dentro de tudo! Basta acessar o link aqui!
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Campinas e região por meio do WhatsApp do acidade on Campinas: (19) 97159-8294.
Também estamos on no Threads e no Youtube.
LEIA TAMBÉM
Cursos gratuitos de qualificação profissional oferecem mais de 2,7 mil vagas em Campinas
Unicamp aprova autarquização da Saúde; entenda o que muda