Especialistas recomendam continuar com as medidas de prevenção e a vacinação para quem for elegível (Reprodução/FVS-RCP)
MANAUS (AM) – O Brasil poderá chegar a 1,8 milhão de casos prováveis de dengue em 2026. Dos Estados do Norte do País, Acre e Tocantins têm a expectativa de alcançar coeficiente de incidência acima de 300 casos por 100 mil habitantes, o que é considerado epidemia, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A estimativa – que considera o período de 12 meses a partir de outubro de 2025 – é resultado do InfoDengue–Mosqlimate Dengue Challenge, um desafio internacional dos projetos InfoDengue e Mosqlimate, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Fundação Getulio Vargas (FGV).
As análises para a próxima temporada sugerem um ano com características epidêmicas, mas sem sinais de alcançar os extremos de incidência observados em 2024. Apesar disso, o próximo ano deverá ser o segundo maior em número de infecções desde 2010.
O estudo reuniu esforços de 52 pesquisadores da África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, do Brasil, da Espanha, dos Estados Unidos, da Itália e do Reino Unido com os objetivos de apoiar o desenvolvimento e treinamento de modelos preditivos de dengue no Brasil e melhorar as previsões de surtos com a utilização de dados climáticos e epidemiológicos.
Agente comunitário encontra criadouro de mosquito da dengue no Amazonas (Reprodução/FVS)
Ao todo, 15 equipes de pesquisa participaram da ação – chamada de Sprint – com 19 modelos diferentes de previsões de casos de dengue no Brasil. As previsões foram unificadas.
As projeções mostram que o patamar será menor do observado em 2024 – quando o Brasil alcançou mais de 6,5 milhões de casos prováveis e 6,3 mil mortes por dengue – e semelhante ao de 2025, que somou 1,6 milhão de infecções e 1.761 mortos até 6 de dezembro.
Acre e Tocantins (Norte), Rio Grande do Norte (Nordeste), São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo (Sudeste), e todas as unidades federativas do Sul e do Centro-Oeste têm a expectativa de alcançar coeficiente de incidência acima de 300 casos por 100 mil habitantes, o que é considerado epidemia, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde).
Porém, em 2026, vale ressaltar que o Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Acre e Amapá deverão ter incidência mais baixa do que a registrada neste ano. Espera-se um coeficiente maior em Santa Catarina, Minas Gerais, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Tocantins. Os demais terão taxas semelhantes a atual, projeta a análise.
Minas Gerais preocupa os pesquisadores porque é um estado com altos números de dengue nos últimos anos e mais uma vez apresenta crescimento, de acordo com as projeções.
Segundo estudo, situação será melhor do que a observada em 2024 (Reprodução/SES-AM)
“Praticamente não tinha dengue no Sul e de alguns anos para cá a região passou a ser sempre o vice-campeão de casos. Os campeões eram Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. O Nordeste, nos últimos anos, tem registrado poucos casos em relação ao Sudeste. E o Sul tem uma grande população virgem, que nunca teve dengue”, explica Kleber Luz, coordenador do Comitê de Arboviroses da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) e consultor para arboviroses da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), braço da OMS nas Américas e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O especialista não participou do estudo.
Acre e Tocantins (Norte), Rio Grande do Norte (Nordeste), São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo (Sudeste), e todas as unidades federativas do Sul e do Centro-Oeste têm a expectativa de alcançar coeficiente de incidência acima de 300 casos por 100 mil habitantes, o que é considerado epidemia, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde).
Porém, em 2026, vale ressaltar que o Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Acre e Amapá deverão ter incidência mais baixa do que a registrada neste ano. Espera-se um coeficiente maior em Santa Catarina, Minas Gerais, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Tocantins. Os demais terão taxas semelhantes a atual, projeta a análise.
“Nas cidades que não têm a experiência com a dengue, a população tende a sofrer um pouco mais. O diagnóstico é mais difícil porque os médicos locais não tem experiência com a doença e s vezes o município não está preparado para dar aquela assistência. A nossa maior preocupação no momento é essa expansão que a gente chama de interiorização da dengue. A partir dos grandes centros ela se espalha para as cidades de médio e pequeno porte”, explica Flávio.
Para Kleber Luz, o Brasil não deverá ultrapassar dois milhões de casos. O infectologista chama a atenção para a possibilidade de entrada do sorotipo 3, que não causa epidemias no país há mais de 17 anos. Seu retorno é arriscado por causa da baixa imunidade da população.
A dengue é uma arbovirose transmitida pelo Aedes aegypti. A doença possui quatro sorotipos. Quando um indivíduo é infectado por um deles adquire imunidade contra aquele vírus, mas ainda fica suscetível aos demais.
(*) Com informações da Folha de São Paulo