O futuro aeroporto Luís de Camões vai ter ligações ferroviárias de alta velocidade, através de um bypass (desvio) construído a partir da linha de alta velocidade entre Lisboa e Madrid.

A solução é proposta no relatório sobre as acessibilidades ao novo aeroporto, que prevê uma linha ferroviária dimensionada para 200 quilómetros por hora, com capacidade para receber os comboios de alta velocidade e convencionais. Esta ligação “funcionará como um bypass ao traçado da LAV (linha de alta velocidade), que se aproxima do novo aeroporto, mas não o atravessa”, refere o sumário síntese deste relatório. E será feita diretamente a partir da saída da terceira travessia do Tejo, a sul, na nova linha que vai ligar o Barreiro a Évora (e que irá ligar-se ao corredor internacional Sul já construído).

Afastada fica a hipótese do serviço ferroviário entre Lisboa e o novo aeroporto ser feito através de um ramal com ligação à nova linha, como já tinha revelado o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, num evento da Associação Portuguesa de Projetistas e Consultores.

Mapa dos acessos rodoviários e ferroviários estudados para o novo aeroporto de Lisboa

A integração destas grandes infraestruturas de transportes previstas para a área da grande Lisboa pretende potenciar a procura de cada uma, mas sem comprometer os objetivos da programada ligação em alta velocidade entre as duas capitais ibéricas.

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A futura linha de alta velocidade irá assim afastar-se do traçado estudado em 2009 e 2010 que ia do Barreiro até ao Poceirão (para onde estava prevista uma plataforma logística) para poder servir o aeroporto mais a norte. Mas, ao mesmo tempo, procura-se não perder a capacidade de realizar viagens ferroviárias entre as duas capitais com um tempo de percurso de três horas. A opção de fazer comboios para o aeroporto e comboios que seguem diretamente para leste é dada pelo tal bypass, que será construído dois a três quilómetros a sul da futura infraestrutura, cuja localização no Campo de Tiro de Alcochete apanha os concelhos de Benavente, Montijo e Vendas Novas.

Ficam também abertas as opções para os passageiros poderem usar a linha de alta velocidade para irem na direção de Madrid ou para apanharem serviços ferroviários convencionais com destino, por exemplo, a Sintra (entrando na linha de cintura através da ponte Chelas Barreiro que terá quatro vias ferroviárias, duas convencionais e duas de alta velocidade).

As acessibilidades consideradas prioritárias, nomeadamente a que envolve a ligação ferroviária pela ponte Chelas-Barreiro, devem estar concluídas no horizonte de 2034/35, dois anos antes do horizonte apontado para a abertura do novo aeroporto, entre 2036 e 2037.

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A solução apresentada pelo grupo de trabalho composto pela Infraestruturas de Portugal, IMT (Instituto da Mobilidade e Transportes) e ANA (Aeroportos de Portugal) propõe a “articulação crítica dos estudos de impacte ambiental, garantindo que os impactos decorrentes da ligação ferroviária sejam integrados pela ANA no estudo do aeroporto”. Mas também permite assegurar a “manutenção de um traçado direto Barreiro-Évora (a partir da terceira travessia sobre o Tejo) para velocidades até 300 quilómetros por hora, bem como processos de licenciamento independentes”.

O plano prevê a construção de uma estação principal no terminal 1 do novo aeroporto, que poderá receber o tráfego ferroviário convencional e suburbano, bem como o shuttle que permita fazer a ligação entre a Gare do Oriente e o Luís de Camões em 20 minutos, compatível com velocidades entre os 160 e os 200 quilómetros por hora, de acordo com a informação recolhida pelo Observador.

O traçado desta ligação ferroviária vai atravessar a área aeroportuária em túnel com a passagem da linha sob as pistas a ser assegurada por estruturas do tipo cut & cover (com zonas cobertas e a céu aberto).

Apesar de estar previsto que a terceira travessia do Tejo tenha também um tabuleiro rodoviário, esta infraestrutura não é considerada para já no estudo das acessibilidades rodoviárias ao futuro aeroporto.

Na rodovia, a A33, autoestrada que liga Coina ao Montijo, vai ser o principal acesso rodoviário ao novo aeroporto, o que implica construir um novo troço a interligar as autoestradas A12 e A13. O traçado deste troço irá localizar-se a sul do perímetro aeroportuário, mas a sua definição vai depender da conclusão do plano diretor do NAL e de eventuais condicionantes ambientais. A Brisa é um dos protagonistas deste projeto, já que o seu contrato de concessão inclui os acessos rodoviários ao novo aeroporto.

Terá ainda de ser avaliada a articulação entre esta futura ligação a partir da A33 e o atual eixo de acesso rodoviário que é realizado através da Ponte Vasco da Gama e da A12, de modo a estabelecer um nó de ligação que permita a redundância no acesso rodoviário ao futuro aeroporto.