Um dos negócios com maior potencial de crescimento é o mercado dos carros usados elétricos. No entanto, observa-se que algumas marcas, hoje líderes na qualidade imediata de construção, revelam fragilidades significativas quando se analisa a fiabilidade dos seus veículos em segunda mão. A Tesla USA é um desses casos, segundo a Consumer Reports (CR).
Carros usados: será fiável um Tesla com 5 anos?
Se está a pensar comprar um carro usado, sabe bem como até os mais pequenos detalhes são decisivos. Preço, marca, quilometragem, estado geral… provavelmente está a gerir tudo ao mesmo tempo, à procura do carro ideal que ofereça um equilíbrio entre todos estes fatores. Mas há um elemento essencial que pode estar a ignorar: a fiabilidade.
Ninguém quer sentar-se no carro acabado de comprar logo de manhã e descobrir que ele simplesmente não pega. Dói. É aqui que entra o estudo de fiabilidade de carros usados da Consumer Reports.
A revista norte-americana classifica 26 marcas automóveis, do “mais fiável” ao “menos fiável”, considerando veículos com cinco a dez anos de idade. Neste caso, modelos de 2016 a 2021, com base numa amostra de mais de 140 mil veículos. E a Tesla surge no último lugar.
Será o fabrico americano pior que o europeu?
A CR analisa 20 possíveis “áreas problemáticas” e compara “o número de problemas de um automóvel com a média de problemas registados em veículos do mesmo ano de modelo”, de forma a medir a fiabilidade e gerar o ranking.
Os especialistas da revista atribuem depois uma pontuação, ponderando os problemas reportados de acordo com a sua gravidade.
Vejamos a lista completa deste ano. No topo surgem os suspeitos do costume: Lexus, Toyota e Mazda, com classificações médias de fiabilidade de 77, 73 e 58 pontos, respetivamente, numa escala até 100. Seguem-se de perto a Honda, com 57, e a Acura, com 53, a fechar o top cinco.
Esta classificação está, em grande medida, alinhada com o relatório de fiabilidade da CR para carros novos, que colocou Toyota, Subaru, Lexus, Honda e BMW, por esta ordem, nos cinco primeiros lugares. Boas notícias para quem procura um automóvel japonês em segunda mão, já que a probabilidade de correr mal é bastante menor.
Pelo meio da tabela surgem várias marcas europeias populares, com pontuações a rondar os 50 pontos. Já no fundo da lista concentram-se sobretudo fabricantes norte-americanos, com marcas a registarem valores inferiores a 40.
Algumas marcas ficaram de fora, como Porsche, Infiniti, Mitsubishi e Fiat, devido à falta de dados suficientes para as classificar.
Entre as últimas posições encontram-se marcas muito populares no mercado americano, como a Jeep, Chrysler, GMC e Ram. E… sim, no fundo da tabela está a Tesla, com uma pontuação de fiabilidade particularmente baixa: 31.
Qual a razão de um elétrico tão vendido ficar tão mal classificado?
É legítimo questionar como é que veículos com tão poucas peças móveis, pelo menos em termos relativos, acumulam o maior número de queixas dos proprietários. Especialmente quando se trata de um fabricante conhecido pela tecnologia de ponta, pelo desempenho e por uma vasta rede de carregamento que tornou os veículos elétricos muito mais acessíveis.
Na verdade, os problemas de fiabilidade da Tesla não são novidade. Questões na suspensão, na eletrónica e na qualidade de construção são algumas das queixas mais comuns entre os proprietários. Mas, ao analisar o estudo com mais atenção, percebe-se o contexto.
Os modelos avaliados eram sobretudo unidades iniciais do Model S e do Model X, produzidas durante a fase de “inferno de produção” da empresa, entre 2014 e 2019. Estes veículos tornaram-se conhecidos por problemas na suspensão, falhas nos sistemas de climatização e defeitos de montagem, como puxadores de portas que partiam.
Há vários problemas na suspensão dos Tesla Model 3 mais antigos. Na suspensão dianteira existem queixas de um ruído de batida, guincho ou rangido causado por uma bucha interna rasgada nas articulações laterais inferiores e/ou articulações de conformidade.
Assim, este relatório diz mais sobre o período em que estes Tesla foram fabricados do que sobre a situação atual da marca. Esta diferença torna-se ainda mais evidente quando se observam os resultados dos modelos mais recentes, como o Model 3 e o Model Y.
No estudo de fiabilidade de carros novos da própria CR, a Tesla surge dentro do top 10, com o Model Y a receber mesmo uma classificação “excelente”, ao nível de marcas japonesas bem estabelecidas.
O que é que isto nos diz?
Que um Tesla usado de 2016, por exemplo, tem maior probabilidade de dar mais dores de cabeça do que o esperado, sobretudo quando comparado com um veículo elétrico novo da marca. O facto de os Tesla usados terem perdido valor mais rapidamente do que outros elétricos também reflecte estas classificações da Consumer Reports.
E não se trata apenas da Tesla. Embora rankings deste tipo ofereçam uma visão geral sobre a fiabilidade das marcas, é muitas vezes mais útil analisar modelos específicos e decidir a partir daí.
Posto isto, fica a questão: em que fabricante confiaria se estivesse à procura de um carro em segunda mão?
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