Durante décadas, o sucesso foi associado à perfeição e à ausência de falhas. Errar era visto como sinal de fraqueza ou incompetência. Esse paradigma, no entanto, vem mudando. Estudos e experiências práticas mostram que o fracasso é parte essencial do aprendizado e do crescimento pessoal e profissional. Segundo a Harvard Business Review (2021), 84% dos executivos de alto desempenho afirmam que suas principais lições de liderança vieram de experiências de fracasso, não de sucesso. O erro ensina, provoca reflexão e impulsiona a evolução.

O fracasso cumpre um papel que o sucesso não exerce: expõe limites, testa convicções e fortalece o caráter. Pesquisa da Universidade Stanford indica que profissionais que falham e recomeçam têm 20% mais chances de obter êxito em novos projetos, pois desenvolvem maior tolerância à frustração e capacidade de corrigir padrões. A Forbes Coaches Council reforça esse movimento ao apontar que 70% dos líderes empresariais relatam saltos relevantes de crescimento após perdas significativas.

A história confirma essa lógica. Thomas Edison acumulou centenas de tentativas até desenvolver a lâmpada incandescente. Steve Jobs foi demitido da própria empresa antes de se reinventar e redefinir a indústria da tecnologia. Henry Ford enfrentou falências antes de consolidar um modelo produtivo revolucionário. J.K. Rowling, rejeitada por editoras, declarou que o fracasso foi a base para reconstruir sua trajetória. Em comum, todos transformaram derrotas em aprendizado.

Essa dinâmica dialoga com a teoria da antifragilidade, de Nassim Nicholas Taleb, segundo a qual indivíduos e sistemas podem se fortalecer diante do caos. A psicóloga Carol Dweck, da Universidade Stanford, demonstra que pessoas com mentalidade de crescimento, que enxergam o erro como oportunidade, apresentam desempenho superior no longo prazo. O World Economic Forum aponta que empresas com culturas de aprendizado e tolerância ao erro se recuperam mais rápido de crises.

Ainda assim, o medo do fracasso persiste no ambiente corporativo. Dados da Deloitte Insights. porém, mostram que organizações que incentivam o erro produtivo implementam mais inovações do que aquelas que simplesmente punem falhas. A Gallup complementa: equipes lideradas por gestores que compartilham seus próprios erros apresentam maior engajamento e confiança.

Fracassar não é o oposto do sucesso, é parte do caminho até ele. Quem nunca errou, nunca ousou. E quem nunca ousou, dificilmente evoluiu.

Éric Machado é CEO da Revna Tecnologia.