De bola parada, em transição ofensiva, em ataque posicional, o Sporting tem mostrado um cardápio de soluções difícil de contrariar na Liga portuguesa. Que o diga o Rio Ave, a mais recente vítima de um campeão em registo predador, ancorado na classe de um avançado que começa a transformar Gyökeres numa memória distante. Luis Suárez fez três dos quatro golos (4-0) com que os “leões” se afastaram neste domingo do Benfica e se aproximaram (provisoriamente) do FC Porto no topo do campeonato.
O jogo arrancou de acordo com todas as previsões: o Sporting a mobilizar muita gente para o corredor central para atrair marcações, a solicitar um dos corredores e a atacar a zona de finalização, seja com cruzamento fechado ou a ganhar a linha para um passe atrasado. No fundo, a comandar o jogo e a manter o Rio Ave, estruturado em 5x4x1 sem bola, em sentido.
Rui Borges, que fez apenas uma alteração face ao jogo de Guimarães (Vagiannidis no lugar do castigado Fresneda), voltou a colocar Maxi Araújo em terrenos mais interiores e a oferecer a largura a Mangas na esquerda, enquanto do lado contrário eram Trincão e Vagiannidis que combinavam à direita, mas sempre com o internacional português a procurar incursões pelo corredor central, onde tinha o apoio de Ioannidis e de Luis Suárez.
Ainda assim, o Rio Ave, com o grego Andreas Ndoj importante nos equilíbrios defensivos, conseguiu estancar o jogo mais associativo no miolo e defender-se de forma competente no jogo aéreo. Mas bastou-lhe uma desatenção numa bola parada para se ver em desvantagem: canto de Mangas, desvio de cabeça de Simões e Luis Suárez ao segundo poste, a empurrar com a barriga.
Mais forte fora de casa do que em Vila do Conde, o Rio Ave tentou sempre sair com critério, explorando essencialmente o corredor direito e a dinâmica entre João Tomé e Olinho, mas nunca chegou a colocar Rui Silva em verdadeiros apuros. Até porque, sem poder contar com Clayton no ataque, dava outra liberdade aos centrais do Sporting.
Não havia Clayton e André Luiz começou no banco, mas o técnico do Rio Ave lançou Vrousai e o avançado brasileiro logo após o intervalo. O objectivo era claro: atacar a profundidade tirando partido da velocidade supersónica do brasileiro, mas o Sporting tinha Quaresma para o duelo de velocistas.
Do lado contrário, o Sporting só precisou de dois toques para entrar no bloco adversário e isolar Maxi — Quaresma descobriu Luis Suárez, o colombiano contornou a última linha com um passe magistral e o uruguaio finalizou com frieza.
Foi o golpe da misericórdia para um Rio Ave que ainda acalentava a esperança de tirar qualquer coisa do jogo. Não tirou — ou melhor, limitou-se a tirar a bola do fundo das redes mais um par de vezes. Primeiro em mais um pontapé de canto, novamente ao segundo poste e novamente com finalização de Luis Suárez — que fez o primeiro golo de cabeça (60’). Um minuto depois, numa recuperação alta de Hjulmand, com remate de Trincão e recarga de Suárez, claro.
Estava mais do que encaminhada a oitava vitória consecutiva do Sporting em casa e Rui Borges fez a gestão que se impunha, rodando uma mão-cheia de jogadores sem sobressalto. Está concluído o trabalho dos “leões” em 2025. Falta saber apenas a que distância do FC Porto celebrarão a passagem do ano.