Luís Marques Mendes rompe por completo com o modelo de campanha seguido pelo atual Presidente da República em 2016. O candidato apoiado por PSD e CDS, explicou fonte da campanha ao Observador, não vai esconder as figuras dos partidos que o apoiam, como fez Marcelo, mas, pelo contrário, vai ter todos dias como oradores notáveis da AD e independentes. Além disso, vai acontecer algo inédito nos últimos 20 anos: o primeiro-ministro vai marcar presença numa campanha presidencial.

Ainda não está definida em que ação de campanha vai participar Luís Montenegro, mas sabe-se que estará, pelo menos, numa delas. Na qualidade de líder do PSD, claro. Ainda assim, tendo em conta que Marcelo nunca contou com Passos (que era líder e não primeiro-ministro, é preciso recuar 40 anos para haver memória de um primeiro-ministro do PSD em período de campanha oficial de campanha (Cavaco Silva esteve na sede de Freitas do Amaral na primeira volta). Incluindo primeiros-ministros do PS é preciso recuar 15 anos, quando Sócrates participou na campanha de Manuel Alegre em 2011 (também o tinha feito com Mário Soares, em 2006).

Apesar de Marques Mendes se esforçar para firmar a sua independência e de rejeitar que um contexto dos “ovos todos no mesmo cesto” (o mesmo partido em Belém e São Bento) seja nocivo para o País, não vai negar a evidência de que é apoiado pelo partido de Governo. A máquina do PSD vai ajudar Marques Mendes e o próprio candidato terá como oradores nas ações de campanha — que serão três por dia — figuras do PSD como a ex-líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, ou a atual vice-presidente, Leonor Beleza. Outras das presenças já confirmadas serão os independentes Rui Moreira, mandatário nacional, e Eduardo Barroso, mandatário para o distrito de Lisboa. Vão também marcar presença membros do Governo, quer no período oficial de campanha, quer no período de vésperas dessa campanha. Já esta segunda-feira o ministro Adjunto e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, vai participar numa sessão de Marques Mendes em Portalegre.

O aparelho do PSD também ajudou, e muito, Marcelo Rebelo de Sousa há 10 anos, mas o candidato fez questão de esconder a presença do partido. O candidato chegou a negá-lo, mas não só o Diário de Notícias expôs durante a campanha a presença do aparelho (num texto com o título “Um independente escondido com o partido de fora”), como mais tarde o Observador revelou que o atual Presidente fez um jantar com toda essa estrutura fantasma de campanha em Belém. Sem surpresa, eram todos dirigentes do PSD, embora segundas linhas. Já Marques Mendes não vai esconder Montenegro nem o partido e irá até usá-los como trunfo.