Uma descoberta extraordinária no Parque Nacional Torotoro, na Bolívia, vem revolucionando o estudo do comportamento dos dinossauros e reescrevendo capítulos da história pré-histórica: pesquisadores identificaram 16,6 mil pegadas fossilizadas de dinossauros em um único sítio — o maior registro desse tipo já documentado no mundo.
Localizado na área conhecida como Carreras Pampa, esse sítio fossilífero foi cuidadosamente analisado por paleontólogos que mapearam 1.321 trilhas contínuas — sequências de passos preservadas no sedimento antigo — além de centenas de marcas isoladas. As impressões têm entre poucos centímetros e mais de 30 centímetros de comprimento, indicando a presença de dinossauros de diferentes idades e tamanhos caminhando pela mesma região em diferentes momentos do fim do período Cretáceo, há cerca de 66 milhões de anos.
Pegadas pré-históricas
A maior parte das pegadas pertence a dinossauros terópodes, um grupo de predadores bípedes e normalmente carnívoros — parentes distantes de gigantes como o Tyrannosaurus rex. Essas trilhas tridáctilas (com três dedos) mostram não apenas caminhadas simples, mas também curvas, mudanças de direção e até indícios de natação em águas rasas, sugerindo que esses animais se deslocavam tanto em solo firme quanto em margens de lagos ou corpos d’água.
Entre os achados, pesquisadores identificaram também marcas de arrasto de cauda, um tipo raro de vestígio que indica momentos em que o corpo desses animais tocava o solo — um tipo de comportamento pouco visível em registros fósseis comuns. Esses traços complementam as trilhas e permitem uma visão mais dinâmica e detalhada da vida desses dinossauros.
Segundo os especialistas, a concentração e diversidade das pegadas indicam que a região funcionava como uma espécie de “rodovia pré-histórica”, um caminho natural ao longo de uma antiga margem lacustre repetidamente cruzado por diferentes espécies ao longo de milhões de anos.
Uma das razões pelas quais tão poucas ossadas foram encontradas no local, apesar da abundância de pegadas, é que as condições ambientais favoreceram a formação e preservação das impressões no sedimento úmido, que depois endureceu e foi coberto por camadas subsequentes. Já os restos corporais dos animais — mais frágeis — foram raramente fossilizados nas mesmas condições.