Tiago Pinto, atual diretor desportivo do Bournemouth e antigo diretor-geral para o futebol do Benfica, assumiu ficar feliz quando ouve dizer que ele daria um bom presidente do clube encarnado, mas garantiu não ter esse desejo para os horizontes imediatos.
«Tentei estar o máximo afastado das eleições do Benfica. Em Portugal há um bocadinho esta história de quando estás fora parece que as pessoas gostam um bocadinho mais de ti. (…) Ou se calhar reconhecem quando vão para fora. Claro que fico contente quando as pessoas gostam de mim, não sou hipócrita. Fico contente se as pessoas disserem que acham que no futuro eu poderia ser bom presidente do Benfica ou por aí fora. Mas isso não está verdadeiramente nos meus horizontes ou objetivos imediatos. No futebol tudo muda de um dia para o outro», afirmou em conversa no podcast Final Cut, da agência Sports Tailors.
O antigo dirigente do Benfica, que chegou aos encarnados em 2012 para trabalhar nas modalidades quando tinha 28 anos e em 2017 passou para o futebol, onde foi diretor-geral até à saída para a Roma no final de 2020, elencou ainda os motivos que poderiam fazê-lo regressar a Portugal e deixou uma garantia.
«Não! Isso é impossível», respondeu após ser questionado se em Portugal se imaginaria a trabalhar noutro clube que não o Benfica. «Dos dois lados. Impossível da minha parte e também da parte dos outros clubes. Eu sei perfeitamente que no dia em que voltar a Portugal, ou mudo de profissão e faço outra coisa qualquer, ou então, obviamente, se um dia voltasse para Portugal para trabalhar num clube, só poderia ser no Benfica ou agora no Moreirense [n.d.r.: SAD do clube minhoto foi comprada pelo grupo do qual faz parte o Bournemouth].»
E acrescentou: «Há duas coisas que me podem fazer sair da Premier League. A primeira é, obviamente, a Premier League não me querer. E isso pode acontecer. E a segunda é o contexto familiar. A minha namorada não gosta tanto de viver fora como eu [risos]. Eu até agora tenho priorizado sempre a questão da minha carreira e há-de haver um dia em que terei de olhar primeiro para a minha família e provavelmente terei de voltar a Portugal. Mas se eu não tivesse este lado emocional – família, namorada e querer constituir a minha própria família – provavelmente ficaria na Premier League até acabar a carreira.»
Na mesma conversa conduzida por Nuno Machado, ex-jornalista da BTV e colaborador do Benfica que coincidiu com Tiago Pinto nos encarnados, o dirigente considerou que José Mourinho, que contratou para a Roma em 2021, foi uma boa escolha de Rui Costa. «Honestamente, independentemente das relações, eu acho que o Benfica precisava de uma pessoa como ele. E não quero comentar muito mais do que isso para não dar azo a muitas interpretações. José Mourinho é uma das pessoas mais marcantes do futebol mundial e seguramente que é o treinador mais marcante do futebol português. A par com o Ronaldo, é das personalidades mais importantes da era moderna», apontou.
Tiago Pinto, recorde-se, chegou ao futebol profissional do Benfica no período de Rui Vitória à frente da equipa técnica. «Acho que o mister Rui Vitória é uma pessoa muito injustiçada. A história do Benfica faz-lhe jus, mas muitas vezes as pessoas não lhe reconhecem o devido valor. Pelos títulos que ganhou, pelos jovens que lançou. E foi uma pessoa espetacular para mim. Eu cheguei muito novo ao futebol, vindo das modalidades, e naquela altura ainda havia um certo descrédito em relação às pessoas que vinham das modalidades. E ele foi espetacular para mim.»
VEJA AQUI A ENTREVISTA COMPLETA: