Acompanhe o nosso artigo em direto sobre a guerra na Ucrânia

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, garantiu aos jornalistas numa conversa de WhatsApp citada pela Reuters que a presença de tropas norte-americanas dentro de território ucraniano estava a ser negociado com os EUA e a administração de Donald Trump, como parte das garantias de segurança. Antes, na noite de segunda-feira, o líder ucraniano sublinhou numa entrevista à Fox News que o plano negociado com os EUA estava quase todo acordado, faltando acertar as questões mais complicadas, nomeadamente os territórios do Donbass.

Para Zelensky, conseguir chegar a um acordo com Washington sobre uma presença militar daria uma “posição muito forte nas garantias de segurança“. “Claro, estamos a discutir isto com o Presidente Trump e com representantes da coligação [das vontades]. Nós queremos isto”.

O Presidente da Ucrânia revelou também que disse ao homólogo norte-americano que estava “pronto para qualquer formato de encontro com Putin”. “Não tenho medo de nenhum formato. A questão principal é que os russos não tenham medo”.

A conversa com os jornalistas surgiu no rescaldo do encontro em Mar-a-Lago entre Zelensky e Trump, onde as negociações tiveram um avanço largamente positivo, como realçou o próprio na entrevista à Fox News.

O líder ucraniano revelou que conseguiram “um acordo de à volta de 90%”, restando ainda resolver a “questão difícil” e “espinhosa” dos territórios ocupados e disputados entre os dois países — Lugansk, Donetsk, Kherson, Zaporíjia e Crimeia. Para Zelensky estes são territórios que as forças de Kiev não podem abandonar.

“Simplesmente não podemos retirar-nos dos nossos territórios. Mas não é apenas a lei”, disse. “Vivem lá pessoas, 300 mil pessoas. Não as podemos perder”, acrescentou.

Volodymyr Zelensky voltou a mostrar-se grato a Trump pelos esforços de paz e pela reunião “muito produtiva” ente ambos, sublinhando que Washington quer “encontrar um compromisso” entre Kiev e Moscovo, notando a sua proposta de uma “zona económica livre” para essas regiões.

O Presidente da Ucrânia foi também questionado sobre as declarações do Chefe de Estado dos EUA durante a conferência de imprensa conjunta na segunda-feira, em que Trump disse que Putin quer “o sucesso da Ucrânia”.

Não confio nos russos“, disse Zelensky. “Não confio em Putin e ele não quer o sucesso da Ucrânia, realmente não quer”, sublinhando que o Presidente russo pode dizer isso a Trump mas que “não é verdade”.

Questionado sobre as alegações de responsáveis norte-americanos de que a Ucrânia estaria a “perder” a guerra, Zelensky disse não concordar, mesmo admitindo que estão a perder territórios na linha da frente.

“É compreensível que, quando a Rússia está a ocupar cerca de três mil quilómetros por ano, parece que não estamos a ganhar. Mas não é um facto real”, disse, afirmando que “o preço destes três mil quilómetros” por ano é agora maior do que era no início do ano. “Se olhar para as pessoas, estão a perder. Se olhar para o território, estão a ganhar“, sublinhou.

Para se manterem na batalha, disse ainda Zelensky, o apoio militar vindo dos Estados Unidos é essencial. “Conseguimos vencer sem o apoio americano? Não, não conseguimos”, frisou, afirmando que, sem esse apoio, não conseguem “defender o céu”. “Mesmo agora, é muito difícil. Mas o apoio americano com mísseis para defesa aérea é realmente útil e forte em qualquer caso. A Rússia usa centenas e milhares de drones e mísseis”, revelou ainda.