1906
Luso-galego
Nasce no Porto, a 23 de janeiro, José Cândido Dominguez Alvarez, filho de pais galegos. Parte da juventude foi passada entre o Porto e Pontevedra, para onde se mudou depois de concluir a sua formação básica para realizar um curso comercial, acabando depois por regressar ao Porto. Contra a vontade dos pais, matriculou-se na Escola de Belas Artes.
1926
Influências
Entra para o curso de Pintura, que conclui aos 34 anos, com 20 valores. Um ano depois inicia a chamada “fase vermelha” da obra, pintando paisagens marinhas e paisagens dos arredores do Porto, e iniciando experiências influenciadas pelos movimentos cubistas, também marcadas por El Greco e pelos pintores espanhóis seus contemporâneos.
1929
Modernismo
Participa na primeira exposição coletiva no Salão Silva Porto e torna-se um dos membros principais do grupo +Além que se opunha ao ensino académico e naturalista das Belas-Artes do Porto em favor de uma modernidade vanguardista. Pinta as enigmáticas paisagens, influenciadas pelas áridas paisagens do norte de Espanha, e retratos de figuras de contorno expressionista.
1935
Rejeição
As suas obras são rejeitadas na primeira “Exposição de Arte Moderna” do SPN, (Secretariado de Propaganda Nacional), inaugurado por António Ferro para ser o lugar crucial dos acontecimentos artísticos e culturais nacionais, onde só conseguirá expor uma única obra três anos depois.
1936
Português
Tendo tido sempre uma divulgação muito restrita da sua obra, fora do circuito artístico de então, realiza a sua única exposição individual, no Salão Silva Porto. Neste ano adquire a nacionalidade portuguesa para escapar à guerra civil espanhola.
1942
Morte prematura
Vítima de tuberculose, morre com 36 anos depois de uma vida muito modesta — trabalhou sempre numa cave escura, sem luz natural e em vida quase nada vendeu. Ao contrário de muitos artistas da sua geração, nunca viajou para além de Espanha, nem para conhecer Lisboa, a capital. Depois de morrer, deixou várias pinturas não assinadas que foram autenticadas por Dórdio Gomes e Joaquim Lopes.
2006
Reconhecimento
O centenário do nascimento é comemorado na Gulbenkian com a exposição “Dominguez Alvarez 770, Rua da Vigorosa, Porto”, com 39 obras do acervo do CAM, destacando-o como uma das figuras importantes do segundo modernismo português, e assinalando o lugar obrigatório da obra nos percursos expositivos da arte portuguesa do século XX.
2025
Falsos
A PJ apreendeu 42 pinturas atribuídas ao pintor, mas falsas, adquiridas em lugares de especialidade e acompanhadas de certificações. A operação partiu de um pedido de peritagem feito pela família de Mário Soares, que possui quadros do pintor na sua coleção de arte. Em março, numa exposição sobre a coleção, em Serralves, dois quadros foram retirados, para que fosse apurada a sua autenticidade.