O projeto Benfica District vai ser votado este sábado numa assembleia-geral extraordinária dos encarnados. Nuno Catarino, vice-presidente e CFO do clube, revelou, em entrevista à BTV, os principais contornos de uma intervenção estrutural que promete transformar por completo a área envolvente ao Estádio da Luz e aumentar a capacidade do recinto para os 80 mil lugares.
De acordo com o responsável, o conceito agora apresentado resulta de vários estudos desenvolvidos ao longo dos últimos anos, mas ganhou verdadeira aceleração há cerca de um ano, após a revisão de projetos anteriores e a consulta a entidades nacionais e internacionais, beneficiando também da rede de contactos da UEFA.
75 milhões de euros para reformular o estádio por dentro
No interior do estádio, a expansão passa por um conjunto de alterações estruturais, com destaque para o rebaixamento do relvado, permitindo criar novas filas e aproximar os adeptos do jogo, num modelo inspirado nos estádios ingleses. Estão também previstas mudanças no piso 1, a introdução de zonas de safe standing no piso 0 e um reforço estrutural no piso 3, indispensável para suportar o aumento de capacidade. O investimento nesta componente está estimado em 75 milhões de euros.
220 milhões para o projeto exterior ao estádio
Já o Benfica District, projeto exterior ao estádio, representa um investimento adicional de 220 milhões e inclui uma arena multiusos com cerca de 10 mil lugares, novos pavilhões, zonas comerciais, espaços de restauração, fan zones e áreas de entretenimento. Catarino sublinha que os dois projetos «tocam-se» ao nível das infraestruturas, mas foram pensados de forma complementar: o que não é feito dentro do estádio será desenvolvido fora dele.
Sobre o estado do processo, o dirigente garantiu que o conceito do projeto está consolidado.
«Em termos de arquitetura, está bastante bem definido. Temos todos os estudos técnicos necessários para entregar um pedido de alteração de loteamento à Câmara Municipal», afirmou, acrescentando que 2026 será um ano decisivo para «detalhar, entrar cada vez mais nos vários pormenores e chegar às especialidades».
Receita bruta potencial de 37 milhões por ano
Em termos financeiros, o Benfica estima uma receita bruta potencial anual de 37 milhões de euros, dos quais cerca de 24 milhões corresponderão à margem de contribuição, depois de deduzidos os custos diretos de operação. Este valor permitirá suportar um project finance autossustentável, com um horizonte de pagamento de cerca de 15 anos, sem impacto na tesouraria corrente do clube. A propriedade de todos os ativos manter-se-á sempre no universo do Benfica, recorrendo-se a modelos de arrendamento e concessão de longo prazo para reduzir risco e garantir retorno.
«O projeto tem de viver pelo seu próprio mérito», frisou Catarino, garantindo que uma das premissas centrais foi não onerar o dia-a-dia financeiro do clube. Para 2026 está prevista uma fase intensiva de detalhamento técnico, especialidades e lançamento de concursos internacionais para a escolha dos operadores das diferentes áreas do distrito.
Projeto pensado para que obras não parem o Estádio da Luz
Apesar da dimensão das obras, o Benfica assegura que o Estádio da Luz continuará em funcionamento, evitando paragens prolongadas, ao contrário do que aconteceu em casos como Real Madrid ou Barcelona.
«O nosso projeto foi pensado para que isso não aconteça. Está desenhado para que isso não aconteça. Se fizéssemos outro tipo de reformas no estádio, que seriam possíveis, isso obrigaria a parar o estádio um, dois anos, como disse o Barcelona. Não foi por aí que partimos, nem achamos que haja necessidade. Em boa verdade, haverá impacto. Vai haver verões sem eventos, porque aí sim, teremos obras dentro do Estádio. Apesar disso, conseguimos fazer concertos e as obras ao mesmo tempo. Mas isto é tudo uma questão de planeamento, que também está relativamente estudado.»
Arena projetada para receber 100 eventos por ano
Do ponto de vista dos sócios e adeptos, o clube promete uma experiência profundamente renovada: mais lugares, resposta à lista de espera, maior diversidade de espaços de hospitalidade, novas opções de restauração e uma zona envolvente mais viva e acessível. A futura arena permitirá ainda acolher perto de 100 eventos anuais, reforçando a atividade cultural e desportiva ao longo da semana.
«O objetivo é que as pessoas queiram chegar mais cedo e sair mais tarde», resumiu Nuno Catarino, apontando o Benfica District como um novo polo de atração para Lisboa e para o país, com impacto muito para além dos dias de jogo.