Beber uma chávena de café ou saborear um quadrado de chocolate amargo pode ser mais do que um simples prazer do dia a dia. Um novo estudo científico sugere que estes hábitos podem estar associados a um envelhecimento celular mais lento, graças a um composto específico: a teobromina, um alcaloide presente sobretudo no cacau, mas também, em menores quantidades, no café e no chá.

A investigação, publicada na revista Aging, analisou biomarcadores moleculares ligados à chamada idade biológica, uma estimativa de quão “velhas” estão as nossas células, independentemente da idade que consta no cartão de cidadão. Os resultados indicam que pessoas com níveis mais elevados de teobromina no sangue apresentavam sinais de envelhecimento celular mais lento, medidos através de dois modelos científicos conhecidos como relógios epigenéticos.

O estudo baseou-se em dados de mais de mil pessoas com uma idade média de 60 anos, que foram submetidas as testes sanguíneos de teobromina, notando-se que quanto mais elevados eram os níveis de teobromina, mais lento parecia ser o envelhecimento celular. 

O que os resultados sugerem é que a teobromina pode estar a influenciar a actividade de certos genes, conforme explica Jordana Bell, professora de epigenómica no King’s College London e principal autora do estudo.

Apesar dos resultados promissores, os próprios autores alertam: trata-se de uma associação, não de uma relação de causa-efeito. O estudo não analisou em detalhe a alimentação dos participantes, nem quantificou o consumo de café ou chocolate. Além disso, os dados resultam de uma única medição, o que impede conclusões sobre efeitos a longo prazo.

Estas conclusões juntam-se a evidências anteriores sobre os benefícios do chocolate amargo, rico em polifenóis com propriedades anti-inflamatórias, associados a menor risco de doenças cardiovasculares, metabólicas e neurodegenerativas. Especialistas recomendam chocolates com mais de 70% de cacau, poucos ingredientes e consumo moderado, devido ao açúcar, à gordura saturada e, em alguns casos, à presença de metais pesados.

Os investigadores reforçam que a teobromina é apenas uma pequena peça num processo multifatorial. Alimentação equilibrada, atividade física regular, sono de qualidade e gestão do stress continuam a ser determinantes para o antienvelhecimento.