As autoridades helvéticas ainda não se pronunciaram sobre o que provocou o incêndio mortal num bar de Crans-Montana, na Suíça, mas os relatos de sobreviventes e fotografias entretanto divulgadas dão força à hipótese de que o fogo começou quando pequenos foguetes entraram em contacto com os painéis de isolamento sonoro, no tecto.

O canal de televisão francês BFM obteve duas fotografias do interior do bar Le Constellation que parecem mostrar o início do fogo. Numa das imagens vêem-se duas pessoas, uma às cavalitas de outra, que transportam garrafas de champanhe com velas de faísca já acesas. Atrás delas parecem distinguir-se mais faíscas.

Na outra fotografia está um grupo de pessoas com garrafas e velas acesas e uma parte do isolamento do tecto parece ter pegado fogo.

O incêndio terá começado por volta da 1h30 de quinta-feira. De acordo com testemunhas presentes no bar àquela hora, a entrega de garrafas com as velas acesas às mesas que as encomendavam era uma prática habitual do estabelecimento.

“O tecto pegou fogo”, disse um rapaz de 16 anos ao canal italiano Local Team, descrevendo o momento em que duas empregadas do bar, mascaradas, uma sobre os ombros da outra, passaram com as garrafas.

“Toda a gente tratou de fugir como pôde”, relatou outra pessoa à BFM, referindo-se à fuga como uma espécie de “batalha” de salve-se quem puder. O bar tem capacidade para 300 pessoas, mas ainda não é certo quantas estavam no local àquela hora. Está confirmada a morte de 40 pessoas e há 115 feridos, muitos deles em estado grave.

O incêndio terá deflagrado na cave do bar, onde decorria uma festa de passagem de ano. O espaço está ligado ao rés-do-chão por uma escada que os sobreviventes dizem ser estreita.“O inquérito servirá também para determinar se todas as normas de segurança estavam a ser respeitadas ou não”, declarou a procuradora-geral do cantão do Valais, Béatrice Pilloud, na conferência de imprensa realizada ao fim do dia de quinta-feira.


Para lá da investigação policial, decorre também o processo de identificação das vítimas mortais, que poderá demorar “vários dias”, disse à televisão pública suíça, RTS, o responsável cantonal pela segurança, Stéphane Ganzer. Devido à extensão das queimaduras, muitos corpos estão irreconhecíveis.

Ainda de acordo com Ganzer, dos 115 feridos, “entre 80 e 100 estão em estado crítico”. Os hospitais do Valais estão sobrecarregados e as autoridades helvéticas apelaram a que médicos franceses especialistas em queimaduras se voluntariem para ajudar e se apresentem directamente nos serviços de saúde. Vários feridos foram transferidos para hospitais franceses e italianos.

Se as vítimas mortais não estão identificadas, o mesmo acontece com grande parte dos feridos – alguns com queimaduras de 60%, consideradas extremamente graves. Muitas famílias estão a percorrer os hospitais da região em busca de notícias, mas ainda sem sucesso. No bar estariam muitos adolescentes e jovens.