“A mensagem do presidente Trump hoje, provavelmente influenciada por aqueles que temem a diplomacia ou acreditam erradamente que é inútil, é imprudente e perigosa”, disse o ministro iraniano.
Embora o movimento atual seja em grande parte pacífico, “os ataques criminosos contra a propriedade pública são intoleráveis”, fez ainda notar Araghchi.
O porta-voz da polícia iraniana, Saeed Montazeralmahdi, afirmou por seu lado compreender as reivindicações económicas dos manifestantes, mas alertou que as forças de segurança não tolerarão qualquer “caos”. “Estes protestos, que são puramente económicos e de natureza civil, expressam o desejo do povo de melhorar as suas condições de vida”, enfatizou Montazeralmahdi esta sexta-feira, segundo um comunicado divulgado pela agência de notícias ISNA e numa declaração invulgarmente conciliatória da polícia em relação aos manifestantes.
“A polícia distingue claramente entre as reivindicações legítimas do povo e as ações destrutivas”, referiu o texto, “e não permitirá que os inimigos transformem os protestos civis em distúrbios e caos“.
Sem recurso a meios de comunicação oficiais, os críticos do regime dos Ayatolas não hesitam a apontar o dedo ao que denunciam como falta de solidariedade ocidental.
“O Irão está em chamas. Estamos a assistir a um momento histórico, semelhante à queda do Muro de Berlim. E a maioria dos meios de comunicação não se atreve a dizer uma palavra. Perguntem-se porquê”, escreveu na rede X a ativista dahlia kurtz ✡︎ דליה קורץ (@DahliaKurtz).
Apesar do tom conciliatório de Saeed Montazeralmahdi, há relatos de que, esta sexta-feira, a polícia disparou fogo real sobre os manifestantes em Karmanshah.
🚨 URGENT – KERMANSHAH | IRANSecurity forces have opened direct fire on protesters in Kermanshah.
Live ammunition has been used against civilian crowds, and clashes have sharply escalated.
The on-the-ground situation is being described as critical, with widespread tension and… pic.twitter.com/LZ3XO3Uhan
— Niyak Ghorbani (نیاک) (@GhorbaniiNiyak) January 2, 2026
Se a versão oficial descreve as manifestações como protestos contra o aumento dos preços e a desvalorização da moeda iraniana, o rial, a oposição não hesita em denunciar com vídeos mais um episódio de repressão armada da República Islâmica, apelando a juventude a resistir.
Message from Iran:
This is Marvdasht. People are in the streets. The Islamic Republic is brutally cracking down.
With every young person the Islamic Republic kills, our anger grows stronger.
We must win, otherwise Khamenei will slaughter us all and hang us.
Let the world hear our… pic.twitter.com/7zEAPKNAst
— Masih Alinejad 🏳️ (@AlinejadMasih) January 2, 2026
Nas redes sociais sucedem-se imagens de desafio ao regime.
A brave woman in Iran publicly removes her hijab, defying her country’s oppressive Islamic regime that kills women for not wearing it.This is true empowerment, unlike modern feminists in the West who defend Islamist rapists like Hamas.pic.twitter.com/uUxzT9pPvW
— Dr. Maalouf (@realMaalouf) January 2, 2026
Estão ainda a ser publicados vídeos, não verificados, acusando o regime de estar a recorrer a combatentes estrangeiros para controlar os manifestantes e intimidar os dirigentes da oposição.
BREAKING:These are foreign Arab terrorists imported by Khamenei to murder Iranian citizens.
Iran has to battle not just the regime, but hordes of islamic terrorists from all over the region.
— 𝐍𝐢𝐨𝐡 𝐁𝐞𝐫𝐠 ♛ ✡︎ (@NiohBerg) January 2, 2026
Os confrontos entre manifestantes e forças de segurança duram desde domingo. Quinta-feira, no primeiro dia de 2026, foi anunciada a morte de seis pessoas, no oeste do país, segundo os meios de comunicação locais. O número de mortos aumentou depois para sete.
Estes foram os primeiros incidentes deste tipo desde o início dos protestos, iniciados como uma manifestação contra o elevado custo de vida, mas que se alargaram para incluir reivindicações políticas. O movimento de protesto começou em Teerão, onde os comerciantes fecharam os seus negócios em protesto contra a hiperinflação e a crise económica.
As manifestações espalharam-se entretanto pelas universidades e outras partes do país.
“Se o Irão disparar sobre manifestantes pacíficos e os matar violentamente, como já fez antes, os Estados Unidos da América virão em seu auxílio”, declarou Donald Trump na sexta-feira na sua rede social Truth.
“Estamos prontos, armados e preparados para intervir”, acrescentou.
com agências