Mantero revisitada
Foi há quase 30 anos que Vera Mantero se lançou à Poesia e Selvajaria em que um grupo de intérpretes transbordava liberdade individual, corpo aberto, pulsões e energia em fluxo, como quem “habita um espaço de transgressão sensível (…) onde se experimentam novas formas de existir e de comunicar, para lá da palavra”.
Esta última parte da descrição vem na folha de sala da revisitação que está prestes a acontecer, no exacto palco da estreia original (na altura, a bordo do Festival Mergulho no Futuro, da Expo’98) e com parte do elenco de então (a própria Mantero e Nuno Bizarro). É o primeiro momento de um retorno a peças emblemáticas da bailarina e coreógrafa, a par de Um Estar Aqui Cheio (2001).
Em Braga, sê rei
Sob o Lustre de Braga, cumpre-se uma ainda jovem mas já bem fincada tradição. É Noite dos Reis da Bazuuca e isso significa aproveitar a quadra para fazer “uma verdadeira celebração da música bracarense”. A sexta edição vem bem artilhada para cumprir esse propósito e para, depois do recorde de convivas batido no ano passado, fazer crescer ainda mais o volume dos canhotos de bilhetes vendidos.
Nesta festa com o cunho da agência Bazuuca, Braga é rainha. Como é da praxe, sobe ao palco — aliás, dois palcos, para além da Sala de Espelhos — uma comitiva de bandas e artistas que representam a verve da cena bracarense nas mais diversas frentes. A novidade comanda o cartaz, mas a festa não se furta ao gabarito e à veteranice de senhores embaixadores da cidade como os Mão Morta.
Tocam logo no primeiro dia, o mesmo de Cody XV & Tiago Sampaio, Tricla, Palas, Purple Mob, Quadra e, num takeover da Wav.in Records, Küiã e Praga. O segundo é movido a Tomás Alvarenga, Monstro, Navegantes da Rua, Homem em Catarse (com banda), Alcrud3, Travo e uma manga de Dark Sessions a cargo de DJ Princesa e Dingo.
Lacrima real
Da alta-costura que abrilhanta a realeza até às mãos baratas que bordam na Índia, um vestido não é só o que se exibe numa vitrina parisiense. Em Lacrima, a dramaturga e encenadora francesa Caroline Guiela Nguyen (que também é realizadora) dá visibilidade às costuras suadas e doridas do processo, às pessoas que moldam o sonho, à exploração por detrás do luxo.
Em causa está um vestido de noiva encomendado por uma princesa cujo casamento será histórico, mas em cujas páginas não rezariam, de outra forma, os saberes e segredos das bordadeiras de Bombaím ou das rendilheiras de Alençon. O resultado, a fazer fé nas palavras do The Guardian, é “um drama épico que explora a mão-de-obra global e o sofrimento pessoal, com momentos de poder assombroso”.
Fiama à Vaga Luz
Na senda de F de Fiama: Mariana Pineda, UmColetivo volta a debruçar-se sobre a obra de Fiama Hasse Pais Brandão (1938-2007) — “equilibrada entre a poesia e o teatro, entre o surrealismo e a revolução, entre o êxtase e o estatismo”, assinala — para propor “um dispositivo especulativo” chamado Vaga Luz.
“Que teatro-futuro, extravasante para dentro do infinito que a chama não apaga, será este que Fiama não chegou a erguer?”, é a pergunta que guia este ensaio baseado no que os arquivos guardam da sua encenação de Mariana Pineda e nas partituras do compositor Jorge Peixinho.
Sucesso pelos bigodes
Para cima de 50 países visitados, traduções para mais de 20 línguas e cerca de 77 milhões de espectadores acumulados mundo fora. São números como estes que conferem a Cats razões para se autoproclamar “o mais famoso musical de sempre”. Audácia felina, é certo, mas com outros créditos para reclamar o título: sete prémios Tony, a assinatura de Andrew Lloyd Webber, canções tão inesquecíveis como Memory e, na raiz da história, poemas de T.S. Elliot.
Por cá, a trupe de gatos cantores-bailarinos-actores não tem encontrado senão casas cheias. Não se espera menos que isso nesta que é a quinta passagem por Portugal desta produção internacional.