O CEO do Banco Português de Fomento arrumou a casa e desafiou os empresários a investir em Portugal. Simplificou processos, acelerou decisões e colocou 6,5 mil milhões de euros na economia. É a personalidade do ano para a redação do Jornal Económico.
O presidente executivo do Banco Português de Fomento (BPF), Gonçalo Regalado, intervém durante a apresentação dos resultados do 1.º semestre, em Lisboa, 17 de julho de 2025. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
Gonçalo Regalado assumiu a liderança do Banco Português de Fomento (BPF) num ano que viria a marcar um ponto de viragem na instituição. Em 2025, o BPF reforçou o seu papel ao serviço das empresas, dos empresários e de Portugal: colocou 6,5 mil milhões de euros na Economia, representando 2,2% do PIB e apoiou mais de 16 mil empresas com mais de 18 mil operações de financiamento do investimento. Ou seja, foi possível multiplicar por 12 vezes a atividade de 2024. Tudo isto contribuiu para que tenha sido escolhido como a personalidade do ano para a redação do Jornal Económico.
“O Banco de Fomento não é um banco de elites, é um banco de todos. Quem não conhece o chão de fábrica ou uma empresa de tecnologia muito dificilmente conhecerá para quem está a servir”, costuma dizer aos colaboradores. Gonçalo Regalado aceitou o convite do governo de Montenegro para liderar o BPF numa altura em que o filho lutava pela vida no hospital. Esta decisão acabou por servir de inspiração para enfrentar os desafios e dar uma nova vida a um banco que parecia condenado ao fracasso.
O que fez foi simples mas bastante eficaz. Olhou para as contas que as empresas entregam ao Estado (Autoridade Tributária e Finanças) e percebeu qual é que era o limite de garantia confortável para o BPF em cada empresa em Portugal. A seguir, informou os empresários e o Estado do valor, disponibilizando um voucher digital cujo crédito podia ser descontado em qualquer banco comercial, uma medida que aumentou a competitividade e diminuiu os prazos de espera. Hoje em dia, é possível nos investimentos com garantias e com crédito ter projetos aprovados em cerca de 20 dias. E, nos projetos de investimento em capital, ter aprovações na casa dos três meses, quando no passado o tempo de espera chegava aos 20 meses.
O facto de ter construído uma carreira no BCP (de estagiário a diretor de marketing para os segmentos empresas, corporate e PME), aliado à sua origem numa família de empresários, deu-lhe um conhecimento profundo da realidade do País. Esse percurso reflete-se numa atitude prática: São muitas as vezes que o CEO mete “as mãos na massa”, isto é, ligar diretamente para os empresários e perceber quais os problemas que mais os afetam ou até conduzir milhares de quilómetros para visitar uma fábrica.
O primeiro grande motor do BPF está na parceria com as Sociedades de Garantia Mútua – a fusão unânime de quatro sociedades históricas e que deu origem a uma nova e reforçada SGM. Com excepção do período de Covid, 2025 foi o melhor ano de sempre do banco e das Sociedades de Garantia Mútua (SGM) em garantias. Ainda em 2025 o BPF assinou o maior contrato de sempre em Portugal com o Fundo Europeu de Investimento (FEI) no valor de sete mil milhões de euros colocando Portugal como país número 1 do FEI na Europa.
O segundo motor de impacto está nos instrumentos de capital. O ano ficou marcado por um crescimento expressivo da atividade (+ 500 milhões de euros investidos) e por uma forte execução da aceleração do PRR. Nos programas Consolidar e Venture Capital a exposição atingiu os 824 milhões de euros com a taxa execução da taxa do PRR a duplicar num único ano (36% para 72%). Os fundos apoiados pelo BPF investiram 753 milhões de euros em 168 empresas, reforçando o ecossistema nacional de inovação. Em paralelo os programas diretos aceleraram com ativos sob gestão de 559 milhões de euros e um ritmo de investimentos sem precedentes.
O terceiro motor está na dívida e na banca de investimento com um papel decisivo em projetos estruturantes que estão a transformar o País. Em 2025, o BPF assegurou 225 milhões de euros em garantias e financiamento direto mobilizando 3,4 mil milhões de euros de investimento estratégico nacional. Com 7,044 mil milhões de euros de candidaturas aprovadas, com 24.339 operações, é superior às performances acumuladas dos anos completos de 2021, 2022, 2023 e 2024.
Da Energia às Infraestuturas, da Tecnologia à Saúde, o banco soberano esteve no centro das grandes transformações – Alta Velocidade, Novo Hospital Oriental de Lisboa, Data Centers em Lisboa, primeiro veículo elétrico da VW Autoeuropa. Reforçou também a proximidade e a presença no terreno com mais de 580 mil emails enviados e 90 mil SMS e chamadas de voz. O objetivo para o futuro é claro: colocar Portugal no top três da Europa com um impacto superior a 3% do PIB. “Os bancos comerciais são a primeira liga do futebol. O Banco de Fomento é a selecão nacional”, diz.