Ainda a campanha eleitoral não tinha iniciado formalmente já o candidato apoiado pelo Livre era questionado se ponderava retirar a candidatura à Presidência da República. No passado domingo a situação repetiu-se e Jorge Pinto voltou a negar. A intenção, segundo apurou o Observador, mantém-se. Mas o cenário pode vir a alterar-se caso haja um acordo de desistência celebrado entre Jorge Pinto, Catarina Martins (apoiada pelo Bloco de Esquerda) e António Filipe (apoiado pelo PCP).
A sondagem divulgada na passada segunda-feira não parece animadora para o candidato de Amarante, que reúne apenas 1,8% das intenções de voto (surgindo em 8.º lugar, atrás dos candidatos do PCP e Bloco da Esquerda). Os valores das sondagens (cuja a média por candidato pode analisar no Radar das Sondagens do Observador) têm sido constantemente desvalorizados pelo Livre e há quem faça um balanço positivo da campanha de Jorge Pinto. Além disso, a candidatura de Jorge Pinto refugia-se na ideia de estar a preencher um “vazio” que existia nas restantes: um candidato que apelasse aos jovens e apresentasse ideias diferentes das tradicionais.
Mas a realidade tem muita força e pode impor-se. Ainda há 10 dias de campanha pela frente e tudo pode alterar-se com uma chamada telefónica — que até ao momento não aconteceu. Segundo apurou o Observador, Jorge Pinto não fecha a porta a nenhum cenário — nem mesmo à desistência. Mas há uma condição: esse passo só pode ser dado se houver uma decisão concertada entre todos os candidatos de esquerda.
Catarina Martins, António Filipe e Jorge Pinto teriam de deitar a toalha ao chão em conjunto, enquanto António José Seguro teria de aproximar algumas das suas ideias às ideias que o candidato do Livre defende. Aliás, a posição que António José Seguro assumiu na passada segunda-feira sobre a necessidade de um Presidente da República de esquerda que se imponha contra uma revisão constitucional feita exclusivamente pela direita pode já indiciar uma adaptação do candidato socialista, segundo fonte ouvida pelo Observador.
No que toca a um cenário de desistência individual, a hipótese não está (nem estará) em cima da mesa para Jorge Pinto. Em primeiro lugar, porque a decisão iria enfraquecer a imagem do partido que o apoia, sendo que não há garantias de que o eleitorado que inicialmente ia votar nele passaria a apoiar Seguro.
De entre as várias sondagens divulgadas até ao momento, o trabalho da Intercampus a 18 de dezembro de 2025 foi aquele em que o candidato do Livre reuniu maiores intenções de voto: 4,90%. Estes valores, estando alinhados com aquilo que o Rui Tavares teve nas últimas legislativas, está muito longe dos 7% que o partido teve na última sondagem. Ficando, como dizem as sondagens mais baixas, abaixo dos 2% e próximo de Manuel João Vieira, seria objetivamente um péssimo resultado para o Livre.