As vozes críticas da monarquia queixam-se de que as famílias reais não trabalham o suficiente para merecer a sua subvenção pública, mas os números podem vir a contrariar (ou comprovar) essa teoria. O rei espanhol, Felipe VI, foi o que mais trabalhou entre todas as monarquias da Europa, somando 192 dias de compromissos oficiais em 2025, destronando Alberto do Mónaco que tinha sido o campeão no ano anterior. A rainha Letizia também é a rainha ou princesa que assume mais funções, ultrapassando largamente nomes como a princesa Victoria da Suécia, a rainha Mary da Dinamarca ou a princesa de Gales, Kate, avança o estudo da plataforma Ufo No More, dedicada à monarquia.
Da lista constam apenas os 27 membros mais trabalhadores das monarquias europeias — sendo que Carlos e Camila do Reino Unido não são incluídos, sem justificação do motivo da sua ausência. Além disso, o relatório apenas contabiliza os dias de trabalho e não o número de compromissos, sendo que é habitual, em cada deslocação, serem encaixadas várias presenças institucionais.
Seja como for, Felipe segue na liderança e trabalhou mais quatro dias em 2025 do que em 2024 — 192 dias por comparação aos 188 do ano anterior. E o mês de Junho foi aquele em que registou mais compromissos (24). Como um todo, a família real espanhola trabalhou 216 dias, sendo que o ano teve 253 dias úteis.
A rainha Letizia ocupa apenas o oitavo lugar do ranking. Trabalhou 121 dias. Por sua vez, a princesa Leonor e a infanta Sofia não constam da lista oficial — a mais velha ainda está a cumprir a formação militar obrigatória e a mais nova está a frequentar uma licenciatura, em Lisboa —, ainda que, ao serviço da monarquia, tenham trabalhado uma média de dez dias, cada uma. A plataforma faz, ainda, menção à rainha emérita, Sofia, que acumulou 36 dias de trabalho.
Alberto e Charlene do Mónaco
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O segundo lugar fica para o príncipe Alberto do Mónaco, que foi o campeão de 2024, com 165 dias de compromissos — menos 43 do que em 2024. Não se conhece o motivo que terá levado à redução da agenda oficial, que é de estranhar num ano que ficou marcado pela comemoração dos 20 anos de reinado do sucessor de Rainier III. Já Charlene trabalhou 72 dias, em comparação com os 69 do ano passado. Ocupa a 22.ª posição da lista.
A fechar o pódio está o príncipe Haakon da Noruega, que tem vindo a assumir um número crescente de compromissos públicos nos últimos anos, depois de o pai, o rei Haroldo V, de 88 anos, ter reduzido a agenda oficial “de forma permanente” por motivos de saúde. Em 2025, Haakon trabalhou 156 dias (um a mais do que no ano passado), enquanto o pai completou 108 — o que lhe vale uma posição a meio do ranking.
Em contraste, a princesa Mette-Marit, mulher de Haakon, apenas trabalhou 59 dias, num ano que foi particularmente difícil: o seu filho mais velho, Marius Borg, é acusado de 32 crimes, incluindo quatro violações, e deverá ir a julgamento em Fevereiro. Ao mesmo tempo, a princesa de 52 anos tem lidado com o agravamento dos sintomas da fibrose pulmonar, doença crónica com que foi diagnosticada em 2018, levando a casa real norueguesa a admitir que poderá ter de fazer um transplante pulmonar em breve.
Haakon e Mette Marit da Noruega
PHILIPP GUELLAND/Reuters
Onde ficam William e Kate?
Depois da família real norueguesa, em quarto lugar, está o rei Philippe dos Belgas, que trabalhou 139 dias, enquanto a sua consorte, a rainha Mathilde, apenas contabilizou 108 dias de trabalho. A filha mais velha, a princesa Elisabeth, teve compromissos oficiais em cinco dias por estar a estudar em Harvard nos EUA — enquanto Donald Trump não expulsar os estudantes internacionais, como tentou várias vezes no último ano.
Em quinto lugar, fica Carlos XVI Gustavo da Suécia (131 dias) acompanhado da rainha Sílvia, que ocupa o 19.º lugar, com 98 dias trabalhados. O rei sueco é seguido de perto pela filha, a princesa Victoria, que trabalhou 119 dias — é a segunda mulher que mais trabalha em todas as monarquias, depois de Letizia.
William e Kate constam da lista
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Isto, claro, se não contabilizarmos a princesa Ana de Inglaterra, que é habitualmente a mais trabalhadora da família real britânica. Contudo, o The Independent diz que, pela primeira vez, o rei Carlos III ultrapassou a irmã com 533 compromissos (e não dias de trabalho) em 2025, o seu recorde pessoal dos últimos seis anos, num ano repleto de visitas oficiais a Itália, ao Canadá ou à Polónia. A princesa real, por sua vez, cumpriu 478 compromissos em 186 dias.
Na lista do Ufo No More, apenas estão presentes os príncipes de Gales, William e Kate. O futuro rei ocupa a 14.ª posição com 109 dias úteis de trabalho — que, de acordo com o jornal inglês, se traduz em 202 compromissos, mais 139 do que em 2024, ano que esteve ausente para apoiar a família durante os tratamentos ao cancro de Kate.
A princesa de Gales ainda está a recuperar, depois de ter anunciado a remissão do cancro, e ocupa apenas o 25.º lugar do ranking com 52 dias de trabalho, ficando, ainda assim, à frente de figuras como Stéphanie, a nova grã-duquesa de Luxemburgo, ou de Maria Teresa, a sua sogra.