A menopausa não se compadece com os termómetros nem com as estações do ano, ela perdura para lá disso. Contudo, a forma como se vivem os sintomas pode variar com a meterologia.

Se o tempo frio poderia ser, à primeira vista, um bom e inequívoco aliado para combater os afrontamentos, essa pode não ser bem a realidade. Estes tendem a disparar devido a dois fatores bem típicos do inverno: alimentação mais quente e condimentada e com os choques de temperaturas. “O contraste entre os ambientes frios no exterior e espaços aquecidos no interior” arriscam “desencadear picos súbitos de calor”, detalha, a médica especialista em menopausa na Harriet Connell da aplicação britânica Health & Her ao jornal britânico The Independent. No caso dos alimentos, também estes mais fortes e muitas vezes picantes, podem agarvar afrontamentos e suores noturnos.

Se o frio está associado a dores nas articulações, a menopausa só vem avolumar esta mesma queixa frequente e torná-la mais intensa. Sabendo-se que no inverno há uma menor exposição solar e que pode agravar a deficiência a vitamina D, esta ausência agrava dores ósseas e articulares. Um fator que se sente com especial impacto na menopausa.

Múltiplos estudos em torno da incontinência urinária têm reiterado o aumento da propensão para perdas, não estando esta fase da vida da mulher imune a esta circusntância. Pelo contrário. Afinal., é uma alteração na saúde feminina marcada pela quebra de estrogénio e, consequentemente, pelo enfraquecimento do pavimento pélvico, este último também impactado pelo frio.. Estudo de 2024 que auscultou três mil mulheres entre os 30 e os 55 anos no Reino Unido, França e Itália, levado a cabo pela empresa de produtos íntimos Intimina, revelou que quase sete em cada dez inquiridas (69,7%) notaram um aumento na urgência urinária em tempo frio. Mais de metade (52,02%) das mulheres relataram o impacto de gripes e constipações nas perdas urinárias causadas pela tosse frequente.

A pele não escapa a esta radiografia. À maior propensão para a desidratação na menopausa, ela soma-se ao impacto do frio. “Ambientes secos e o aquecimento dos espaços retiram humidade à pele. Aliados à diminuição dos níveis de estrogénio, que reduz a hidratação da pele, isto pode provocar secura, comichão e maior sensibilidade”, explica a médica especialista em menopausa Elise Dallas ao jornal britânico. A especialista do The London General Practice sublinha ainda a questão da insónia, frequentemente agravada com esta fase de transição na saúde feminina. “No inverno, a menor exposição à luz natural pode reduzir os níveis de serotonina, afetando o humor e o sono. Os dias mais curtos também interferem com o ritmo circadiano, tornando mais difícil regular a produção de melatonina”, avisa.