A relação entre a saúde pública e a medicina preventiva é natural e inerente às funções que ambos os conceitos desempenham. No entanto, ao longo do tempo, tornou-se evidente que essa conexão possui um valor muito maior do que se imaginava inicialmente. Essa constatação moldou, ao longo da história, a relação interdisciplinar entre a saúde pública e a medicina preventiva.
Atualmente, em meio a novas tendências tecnológicas — somadas a tudo o que já foi construído historicamente —, um tema específico dentro dessa relação voltou a ganhar destaque: o esforço para reduzir o impacto causado pelas doenças crônicas. Entre as condições mais beneficiadas por essas iniciativas estão o diabetes, a hipertensão e a obesidade.
Uma conexão construída
A medicina preventiva tem raízes em civilizações antigas, mas suas características modernas começaram a se consolidar no início do século XX, com iniciativas surgidas nos Estados Unidos e no Canadá. Naturalmente, ao longo desse extenso período da história humana, diferentes sociedades desenvolveram e aprimoraram suas próprias estratégias de acordo com necessidades locais e recursos disponíveis.
Embora a saúde seja considerada um dos pilares da administração pública em todo o mundo, os governos passaram a dedicar maior atenção a esse tema apenas após a Revolução Industrial, no século XVIII. Com a migração de grandes contingentes de trabalhadores em situação de vulnerabilidade para os centros urbanos e jornadas de trabalho extenuantes, a necessidade de intervenção estatal na saúde pública tornou-se inegável. Os governos foram forçados a reinventar suas abordagens para atender a essas demandas.
Ainda assim, os primeiros passos dessa evolução remontam às civilizações mais antigas do mundo. O desenvolvimento da medicina nas academias da Grécia Antiga é um exemplo dessas transformações. Já naquela época, temas como saneamento básico, prevenção, vacinação e controle de doenças — ainda que de forma rudimentar — estavam presentes, marcando o início da conexão entre saúde e administração pública.
“A conexão entre a medicina preventiva e a saúde pública é profundamente natural e intrínseca. A medicina preventiva consiste em ações e estratégias voltadas à promoção da saúde e à prevenção de doenças e de suas complicações, tanto em nível individual quanto coletivo. A saúde pública, por sua vez, utiliza a medicina preventiva como uma de suas principais ferramentas e métodos para proteger e melhorar o bem-estar da população como um todo, independentemente da faixa etária. Quando aplicada em larga escala, a medicina preventiva reduz a demanda por tratamentos de doenças, diminui os custos com saúde e melhora a qualidade de vida geral.”
Essa explicação é da Dra. Claudia Eunice Herrera Gamez, médica clínica geral mexicana. Entre seus objetivos e conquistas profissionais, a Dra. Herrera Gamez busca contribuir com sua comunidade por meio de seus conhecimentos e experiência em prevenção, diagnóstico, tratamento e pesquisa de doenças — especialmente no campo das enfermidades crônicas. Sua missão tem sido oferecer atendimento de qualidade com foco na melhoria e na preservação da saúde.
Uma visão contemporânea
A parceria entre a medicina preventiva e a saúde pública evoluiu, sem dúvida, acompanhando os avanços tecnológicos. No campo da inovação, o uso de Inteligência Artificial (IA), Internet das Coisas (IoT) e sistemas de gestão de dados, operados por profissionais de saúde como a Dra. Herrera Gamez, tem se tornado cada vez mais relevante.
A precisão diagnóstica e o cuidado personalizado — adaptado às necessidades de cada paciente — são apenas alguns dos muitos benefícios trazidos por esses avanços. As estratégias preventivas tornaram-se mais eficientes por meio de um planejamento estratégico baseado em dados e tecnologia. Por outro lado, esse progresso exige maior preparo dos profissionais de saúde, que agora precisam lidar com sistemas aprimorados por recursos modernos, desde a triagem inicial dos pacientes até processos complexos de tomada de decisão.
Investimentos em saúde pública
Ao observar o presente — e projetar o futuro próximo —, os números atuais e as estimativas para os próximos anos ajudam a ilustrar a importância dessa relação destacada pela Dra. Herrera Gamez. O orçamento-base da Organização Mundial da Saúde (OMS) para suas atividades essenciais oferece uma visão clara dessa relevância.
As projeções indicam que, do ano passado até os próximos quatro anos, o orçamento-base da OMS (destinado às suas atividades mais essenciais) deverá alcançar aproximadamente US$ 11 bilhões. Desse total, o orçamento de 2024 indicou que mais de US$ 1 bilhão foi direcionado especificamente à medicina preventiva.
“Discutir a importância dos investimentos em saúde pública — para além daqueles voltados exclusivamente à medicina preventiva — significa tratar de algo vital: garantir o bem-estar coletivo e os direitos sociais por meio da promoção da prevenção de doenças, do acesso universal ao tratamento e da redução das desigualdades e da mortalidade. Isso também envolve conscientizar a população sobre hábitos mais saudáveis e responsáveis. Esses esforços incluem campanhas de vacinação, programas de saneamento, educação em saúde e acesso a serviços médicos básicos e especializados — assim como ocorreu no início da história da saúde pública. Hoje, porém, eles vão além, ao melhorar a qualidade de vida e impulsionar o desenvolvimento social por meio do combate às doenças crônicas. Em essência, a saúde pública continua sendo um pilar fundamental da sociedade, garantindo que o cuidado com a saúde seja um direito de todos — e não um privilégio de poucos.”
Formação profissional
A Dra. Claudia Eunice Herrera Gamez é médica clínica geral, formada pela Universidad Durango Santander em 2022. Possui sólida experiência em atenção primária, medicina preventiva e assistência cirúrgica em diversas especialidades.
Durante seu internato médico no hospital estadual (ISSSTESON), participou de mais de 50 cirurgias em áreas como ortopedia, ginecologia e obstetrícia, cirurgia cardiotorácica, oftalmologia, pediatria, neurocirurgia, gastroenterologia e oncologia.
Como parte de seu serviço social no Hospital Militar Regional da Secretaria da Defesa Nacional, adquiriu experiência no atendimento a pacientes com doenças agudas e crônicas, desenvolveu um protocolo de pesquisa aprovado tanto pela Universidade quanto pelo Hospital e auxiliou em atendimentos de emergência sob rigorosos protocolos militares.
Posteriormente, atuou como médica de atenção primária em clínicas farmacêuticas, atendendo em média 15 pacientes por dia, realizando diagnósticos precisos e prescrevendo tratamentos adequados. Também auxiliou em cirurgias vasculares e pediátricas como primeira assistente cirúrgica.
Seu perfil profissional se destaca por uma abordagem integral na prevenção, diagnóstico, tratamento e pesquisa de doenças, aliada a fortes habilidades de comunicação, empatia e compromisso com a excelência médica. Falante nativa de espanhol, com proficiência intermediária em inglês, é capaz de atuar de forma eficaz em contextos médicos diversos.
“Minha principal contribuição tem sido oferecer atendimento médico de alta qualidade, centrado no paciente — tanto na atenção primária quanto em ambientes cirúrgicos. Participei de mais de 50 cirurgias, desenvolvi um protocolo de pesquisa durante meu serviço em um hospital militar e atendi pacientes diariamente na atenção primária. Essas experiências refletem meu compromisso com a medicina preventiva, o diagnóstico preciso e o cuidado compassivo. Acredito que minhas habilidades e dedicação podem contribuir significativamente para o sistema de saúde dos Estados Unidos — especialmente no apoio a comunidades diversas e na ampliação do acesso a serviços médicos de qualidade”, afirmou a especialista, hoje residente nos Estados Unidos, sobre sua trajetória profissional, que ainda tem muito a oferecer.
Jornalista: Daiane de Souza | 0007147/SC