Uma dieta rica em gordura que se mantenha a longo prazo poderá desencadear alterações biológicas no fígado que podem aumentar o risco de cancro, noticia a Fox News. 

Investigadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) sugerem que a questão pode não ser a quantidade de alimentos gordurosos que são consumidos de uma só vez, mas sim o tempo de exposição do fígado a uma dieta desiquilibrada e rica em gordura. 

Com o tempo, uma dieta rica em gordura pode colocar as células do fígado numa espécie de modo de sobrevivência, tornando-as mais vulneráveis a alterações relacionadas com cancro, segundo uma pesquisa publicada em dezembro pela revista Cell.

Os cientistas descobriram que quando o fígado processa repetidamente grandes quantidades de gordura, as células funcionais deixam de se concentrar no aproveitamento de nutrientes e filtragem de toxinas. Em vez disso, assumem um estado mais primitivo para ajudá-las a suportar o stress de uma dieta rica em gordura, uma mudança que os pesquisadores associam à tumorigénese, processo pelo qual o cancro se pode desenvolver.

“Se as células forem forçadas a lidar repetidamente com um fator de stress, como uma dieta rica em gordura, farão coisas que as ajudarão a sobreviver, mas com o risco de maior suscetibilidade à tumorigénese”, notou Alex K. Shalek, um dos autores principais do estudo e diretor do MIT.

O estudo foi feito em ratos de laboratório alimentados com uma dieta rica em gordura a longo prazo, alguns dos quais desenvolveram cancro do fígado. 

Ao examinarem as células do fígado à medida que a doença progredia, os pesquisadores observaram que as funções hepáticas saudáveis diminuíam gradualmente, sendo que os mecanismos de sobrevivência assumiam o controlo. 

Quando analisaram amostras de fígado humano, os pesquisadores observaram declínios comparáveis ​​na atividade hepática normal.

“Isto realmente parece uma troca, que prioriza o que é bom para a célula individual sobreviver num ambiente de stress em detrimento do que o tecido coletivo deveria estar a fazer”, disse o coautor principal e estudante de pós-graduação do MIT, Constantine Tzouanas.

“Estas células já ativaram os mesmos genes que precisarão para se tornarem cancerígenas”, acrescentou. 

Tais descobertas ajudam a explicar por que a doença hepática gordurosa frequentemente precede o cancro de fígado — e por que os efeitos da dieta pode levar anos ou até décadas para se manifestarem.

“Não existe uma forma infalível de prevenir o cancro, mas existem mudanças que se pode fazer para potencialmente diminuir o risco”, realçam os investigadores. 

Estes descobriram ainda que pacientes cujas células hepáticas apresentavam mais alterações de sobrevivência ao stress e menos função hepática normal tendiam a viver menos tempo após o desenvolvimento do cancro. Nos humanos, este processo pode levar anos. 

Os investigadores notam que não existe uma maneira infalível de prevenir o cancro, mas que há mudanças que se podem fazer para diminuir o risco. 

“Manter um peso saudável, não fumar e manter-se ativo podem fazer toda a diferença”, realça-se. 

Foi também recomendado diminuir o consumo de carne vermelha e processada, optar por proteínas como peixe, frango, feijão e lentilha, e seguir uma dieta equilibrada rica em frutas, verduras, grãos integrais e leguminosas.

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Lusa | 14:57 – 31/12/2025