O Governo da Venezuela convidou o secretário-geral da ONU, António Guterres, a visitar o país sul-americano para testemunhar, “em primeira mão”, as consequências do ataque militar norte-americano que resultou na detenção do Presidente Nicolás Maduro e da mulher, Cilia Flores.

O ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Yván Gil, revelou, em comunicado, que o convite foi feito durante uma reunião entre o representante permanente da Venezuela nas Nações Unidas, Samuel Moncada, e o diplomata português.

Moncada denunciou a Guterres a “agressão armada unilateral e injustificada perpetrada” pelos Estados Unidos e o que descreveu como o “rapto” do Presidente e da primeira-dama venezuelanos.

Segundo o documento, Moncada afirmou que a ONU “tem ainda um papel importante a desempenhar, assumindo inclusive o seu papel e autoridade no que diz respeito à preservação da diplomacia como meio de garantir a paz mundial”.

Por isso, frisou a diplomacia venezuelana, estendeu “um convite formal ao secretário-geral para visitar a Venezuela o mais rapidamente possível ou, na impossibilidade disso, nomear um enviado pessoal, para que possa testemunhar, em primeira mão, as consequências dos ataques militares de 3 de janeiro”.

De acordo com a Venezuela, Guterres prometeu, durante a reunião, considerar o convite e ofereceu “os seus bons ofícios para facilitar um diálogo nacional”.

“O secretário-geral das Nações Unidas observou que a recente incursão militar dos Estados Unidos em território venezuelano representou uma violação flagrante da Carta da ONU e das normas do direito internacional”, acrescentou a diplomacia venezuelana no comunicado partilhado por Gil nas redes sociais.

Durante a reunião, o embaixador venezuelano apresentou “um relato detalhado dos acontecimentos relacionados com os ataques” que ocorreram na madrugada do passado sábado em Caracas e nos estados vizinhos de Aragua, Miranda e La Guaira (norte).