Uma idosa morreu na tarde de quarta-feira em Sesimbra (Quinta do Conde) depois de esperar por assistência médica que demorou 44 minutos a chegar, segundo confirmou ao Observador o comandante João Franco. Foi assistida por uma ambulância dos bombeiros de Carcavelos, da qual faz parte João Franco, uma zona que fica a várias dezenas de quilómetros, mais de 40. O INEM abriu uma auditoria interna.

O Observador teve acesso à fita do tempo deste caso, que mostra que a mulher ligou pela primeira vez a pedir socorro ao INEM pelas 13h43 de quarta-feira, tendo esta situação sido classificada como prioridade 2 — muito urgente —, que prevê o acionamento de meios até 18 minutos. No entanto, apenas foi enviada a viatura médica (VMER) pelas 14h01, tendo o Comando Sub-Regional da Grande Lisboa da ANEPC disponibilizado uma ambulância dos Bombeiros Voluntários de Carcavelos.

A fita do tempo regista que às 14h06, a situação foi retriada pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e a prioridade alterada para P1 – emergente —, que prevê uma resposta imediata. Apesar de ter sido considerada uma situação de prioridade 1, todas as ambulâncias de emergência médica mais próximas (Setúbal, Barreiro e Almada) encontravam-se naquele momento ocupadas.

Quase uma hora depois, às 14h37, a fita indica que a equipa dos Bombeiros Voluntários de Carcavelos, no local, informou que a utente se encontrava em paragem cardiorrespiratória. Às 14h42, a VMER de Setúbal, entretanto disponível, foi acionada para o local.

Os bombeiros de Carcavelos, através de uma publicação no Instagram, escreveram que “apesar da pronta saída do quartel, a distância entre as duas localidades condicionou inevitavelmente o tempo de chegada ao local”.

“Durante a tarde de hoje, a nossa equipa foi mobilizada para uma ocorrência de paragem cardiorrespiratória (PCR)”. Apesar da pronta saída do quartel, a distância entre as duas localidades condicionou inevitavelmente o tempo de chegada ao local. Em situações de PCR, cada minuto é determinante – por cada minuto que passa sem manobras de reanimação, a vítima perde cerca de 10% de hipóteses de sobrevivência”, pode ler-se na publicação.

Este tipo de ocorrência relembra-nos a importância dos tempos de resposta e da proximidade dos meios de socorro, salientando que, mesmo com a melhor preparação técnica e humana, a distância é um fator crítico na probabilidade de sucesso da reanimação”, escrevem os bombeiros de Carcavelos.

O organismo diz que continua “empenhado em garantir resposta rápida, profissional e humana, ainda que, por vezes, as limitações geográficas e de cobertura operacional criem desafios significativos ao trabalho dos bombeiros”.

O presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, questionado pelos jornalistas em Lisboa, não quis fazer comentários sobre este novo caso – um dia depois do homem que morreu no Seixal também à espera de assistência – alegando que não conhece o caso e que, por isso, não tem informação que lhe permita fazer qualquer juízo.

Entretanto, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) abriu uma auditoria interna aos procedimentos associados ao caso da mulher que morreu na Quinta do Conde, Sesimbra, depois de esperar mais de 40 minutos por socorro. Em resposta à Lusa, o INEM lamentou o óbito e apontou mais uma vez a falta de meios disponíveis.

Notícia atualizada às 12h55 desta quinta-feira com a fita do tempo deste caso.