O mundo empresarial assiste a mais um capítulo na disputa pela Warner Bros. Discovery. A administração da empresa voltou a rejeitar uma proposta de aquisição da Paramount Skydance, reforçando o seu compromisso com o acordo previamente estabelecido com a Netflix.
A preferência pela Netflix
O conselho de administração da Warner Bros. Discovery (WBD) recomendou, esta quarta-feira e por unanimidade, que os acionistas da empresa recusassem novamente uma oferta de aquisição hostil proveniente da Paramount Skydance.
A administração considera a proposta da Paramount “consideravelmente inferior” ao acordo já celebrado com a Netflix, que prevê a compra dos estúdios e do negócio de streaming da WBD por uma verba de 72 mil milhões de dólares.
Samuel Di Piazza, presidente do conselho da WBD, foi claro nas suas declarações:
Temos um acordo de fusão assinado com a Netflix, que representa uma proposta de valor irrecusável, um caminho claro para a sua concretização e garantias para os nossos acionistas caso o negócio, por algum motivo, não se concretize.
A investida da Paramount surgiu poucos dias após o anúncio do acordo com a Netflix, com uma oferta hostil de 30 dólares por ação, paga na totalidade em dinheiro, pela totalidade da Warner Bros. Discovery, incluindo os seus canais de televisão.
A proposta insistente da Paramount Skydance
Após uma recomendação inicial de rejeição por parte da WBD, a Paramount voltou à carga. No final de dezembro, e como resposta direta às preocupações levantadas pela WBD, a empresa garantiu o apoio financeiro do bilionário Larry Ellison, cofundador da Oracle e pai do CEO da Paramount Skydance, David Ellison.
Numa oferta retificada, a Paramount assegurou que Larry Ellison se comprometeu a não revogar o fundo fiduciário familiar nem a transferir os seus ativos de forma adversa durante a transação. Contudo, a Paramount Skydance não aumentou o valor da sua proposta.
Numa carta enviada aos acionistas, a administração da WBD afirmou que a “PSKY falhou repetidamente em apresentar a melhor proposta para os acionistas da WBD, apesar das indicações claras sobre as deficiências e as possíveis soluções”.
A decisão não foi, no entanto, consensual entre os acionistas. Matthew Halbower, CEO da Pentwater Capital Management, o sétimo maior acionista da WBD, argumenta que a administração “cometeu um erro” ao não considerar devidamente a proposta revista da Paramount.
A Paramount ofereceu 30 dólares por ação, uma proposta economicamente superior e com menor risco regulatório. Compreendo que a administração tenha as suas reservas, mas essas reservas não justificam recusar-se a sequer encetar uma conversa.
Não é assim que espero que o meu conselho de administração atue.
Declarou Halbower.
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