Com vídeos gravados pelos clientes e imagens de videovigilância, as autoridades esperam conseguir reconstruir passo a passo os acontecimentos daquela noite e apurar se o casal francês proprietário do espaço tem responsabilidade na tragédia. Neste momento, Jessica e o marido Jacques, que não se encontrava no bar naquela noite, estão sob investigação por homicídio involuntário, fogo posto por negligência e ofensas corporais aos clientes que ficaram feridos. Segundo o britânico “Times of London”, que cita o advogado de algumas das vítimas, Romais Jordan, o bar apagou as contas nas redes sociais naquela noite, quando os serviços de emergência ainda tentava socorrer vítimas. Nessas contas de Facebook e Instagram, estariam vídeos daquela noite, que poderiam constituir prova.

Na primeira declaração pública sobre o caso, no início da semana, os proprietários do bar disseram-se “devastados e dominados pela dor”, e prometeram “cooperação total” com os investigadores. “As palavras não podem descrever adequadamente a tragédia que se desenrolou naquela noite no Le Constellation”, disseram Jacques e Jessica Moretti.

Os procuradores acreditam que o incêndio começou quando as pessoas que festejavam o Ano Novo levantaram garrafas de champanhe com pequenos foguetes, incendiando a espuma de isolamento acústico no teto da cave do bar. A investigação vai centrar-se na questão de saber se as normas de segurança contra incêndios foram respeitadas nas obras efetuadas pelo casal em 2015 e nos materiais utilizados, bem como no acesso às saídas de emergência e aos extintores. Na terça-feira, as autoridades municipais de Crans-Montana reconheceram que não foram realizadas inspeções de segurança contra incêndios no estabelecimento desde 2019.

Dois minutos

Segundo uma simulação realizada por uma arquiteta e um engenheiro funcionário do Corpo de Bombeiros de Ragusa, em Itália, com recurso a software especializado, o fogo no bar chegou aos 1200 graus, colocando a estrutura do edifício em causa, mas acabou por baixar para 600 graus devido à falta de oxigénio. Durante dois minutos, o ambiente permaneceu suportável, pelo que as pessoas não se aperceberam do risco e continuaram a filmar as chamas. Quando a temperatura ambiente da sala ultrapassou os 60 graus, o limiar térmico suportável pelos humanos, toda a sala se incendiou. Segundo os especialistas, foram 140 segundos até pouco ser possível fazer para retirar os clientes em segurança.

Fany Pinheiro Magalhães, de 22 anos, natural de Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro foi a única vítima mortal portuguesa do incêndio. A professora, recentemente formada, vivia com a família na localidade de Crans-Montana. O carro da jovem estava estacionado junto ao bar “Le Constellation”, destruído pelo incêndio, e o telemóvel incontactável. Os pais da vítima, naturais de São João de Ver, no concelho da Feira, têm um pequeno negócio naquela região suíça.