Com a situação crítica na urgência Geral do Hospital Fernando Fonseca a persistir, a Enfermeira-Diretora da ULS Amadora-Sintra apresentou a demissão, anunciou esta quinta-feira a ULS, em comunicado. Luísa Ximenez justificou a renúncia ao cargo com a falta de condições para continuar em funções. Também os mais de 100 enfermeiros que trabalham no Serviço de Urgência Geral apresentaram escusas de responsabilidade perante a pressão a que o serviço tem sido sujeito, com utentes a esperarem mais de 15 horas pela primeira observação médica.

“O Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde de Amadora/Sintra informa que a Enfermeira Diretora apresentou ontem à tutela o seu pedido de renúncia ao cargo. Esta decisão fundamenta-se na inexistência de condições para a continuidade do exercício de funções, apesar dos esforços desenvolvidos pelo Conselho de Administração”, refere a ULS, em comunicado.

Numa mensagem enviada esta quarta-feira aos enfermeiros e aos técnicos de ação médica da ULS Amadora-Sintra, Luísa Ximenez explica “que a decisão fundamenta-se na inexistência de condições para a continuidade do exercício destas funções apesar dos esforços desenvolvidos num CA cujo Presidente foi demitido, há mais de dois meses, sem que tenha sido ainda assegurada a sua substituição”.

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Ao mesmo tempo, os enfermeiros que trabalham no serviço de Urgência — mais de 100 ao todo, segundo avançou ao Observador fonte oficial da ULS Amadora-Sintra — apresentaram também escusas de responsabilidade. Em comunicado, o Conselho de Administração admite a  “elevada pressão assistencial vivida no Serviço de Urgência Geral” e aponta o dedo à tutela, pela demora na substituição dos elementos do CA (demissionários desde novembro) e pela falta de aprovação de um plano que, sublinha a ULS, permitiria reorganizar o serviço de urgência.

“Atendendo a estas circunstâncias, o Presidente do Conselho de Administração tem vindo, desde novembro, a solicitar de forma reiterada à tutela a sua rápida substituição, de modo a garantir as condições de governabilidade de uma instituição com a complexidade da ULS Amadora/Sintra, o que até ao momento não se verificou”, acusa a ULS, acrescentando que “as dificuldades de funcionamento do SUG foram antecipadas desde setembro de 2025, tendo o Conselho de Administração apresentado à tutela um plano de reorganização estrutural do serviço, que aguarda aprovação”, plano esse que inclui a criação de um Centro de Responsabilidade Integrado (CRI), com vista a uma maior estabilidade das equipas, valorização diferenciada dos profissionais, melhoria do desempenho assistencial e reforço da segurança dos cuidados prestados.