Ao quinto dia da sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN, João Cotrim Figueiredo (19,2%) é o único dos favoritos às presidenciais em rota ascendente. Mantém o terceiro lugar, mas apenas a meio ponto de António José Seguro (19,7%) e a pouco mais de um ponto de André Ventura (20,5%), que se mantém em primeiro. Trata-se de um empate técnico que inclui Henrique Gouveia e Melo (17,2%) e Luís Marques Mendes (16,8%). Aliás, a diferença entre os cinco primeiros nunca foi tão estreita (3,7 pontos percentuais), enquanto o número de indecisos volta a crescer para os 12,5%, ou seja, o suficiente para baralhar todas as contas quando estamos a pouco mais de uma semana da ida às urnas.

O liberal aproveita a estagnação do líder do Chega e uma ligeira quebra do socialista para se afirmar na luta por um lugar na segunda volta da corrida a Belém. Mas continua a ter o almirante e o social-democrata a morder-lhe os calcanhares. Com uma margem de erro de mais ou menos 4%, está tudo em aberto: o patamar mínimo atribuído a Ventura (17,2%), que vai em primeiro, é inferior ao melhor resultado a que pode aspirar Mendes (19,8%), o quinto nesta altura. O inverso é igualmente possível, ou seja, o presidente do Chega pode atingir os 23,8% enquanto o ex-líder do PSD pode cair para os 13,8%. Este último ainda é o principal favorito para passar à segunda volta (28%), mas com a vantagem a reduzir-se nos últimos dias (partiu com 32%).

A soma das três candidaturas mais à Esquerda atinge o seu ponto mais baixo, desde o arranque desta sondagem (em que entram 200 novos inquiridos todos os dias, saindo os 200 mais antigos), com apenas seis pontos percentuais, metade deles para a bloquista Catarina Martins (3%). Segue-se o comunista António Filipe (2,3%) e o deputado do Livre Jorge Pinto (0,7%) que, para todos os efeitos, já deu quase como certo que não levará a candidatura até ao fim. Dos restantes, só há sinal de Manuel João Vieira, com uma percentagem estatisticamente irrelevante (0,3%).

Cotrim e Ventura somam metade dos jovens, Seguro destaca-se nos mais velhos

Se os três primeiros estão separados, na intenção de voto, por pouco mais de um ponto percentual, há todo um mundo de diferença entre eles quando se analisa ao detalhe os segmentos da amostra (género, idade, classe social, geografia e voto partidário). Desde logo, porque Cotrim (20,4%) e Ventura (20,2%) se destacam nos homens, com mais quatro pontos do que Seguro, mas o socialista vence entre as mulheres (17,5%), com mais dois pontos que o líder do Chega e quatro do que o eurodeputado liberal.

Mas é sobretudo entre os mais velhos (55 anos em diante), que o ex-secretário-geral do PS mais se destaca (23,4%) dos seus dois principais adversários: são mais nove pontos que Ventura e mais 18 pontos do que Cotrim. Ao contrário, o liberal leva uma vantagem bastante larga na faixa dos 35/54 anos (25,2%), com mais oito pontos que Ventura e onze que Seguro, que se mostra incapaz de captar o voto dos mais jovens (18/34 anos), onde regista uma desvantagem de mais de 15 pontos para os dois candidatos mais à Direita (dividem metade deste eleitorado entre os dois, com destaque para a liderança de Cotrim, com 24,7%).

Liberal em vantagem entre os mais ricos, líder do Chega entre os mais pobres

Quando se tem em conta as classes sociais, é o ex-líder da Iniciativa Liberal que se destaca entre os que têm maiores rendimentos (24,6%, mais seis pontos que Seguro e mais 13 que Ventura), enquanto, no fundo da escala, é o presidente do Chega que reina (21,3%, mais oito pontos que o socialista e mais 14 que Cotrim).

Ao nível regional, é o Centro (24,6%) o território mais favorável a Seguro (vantagem de seis pontos sobre Ventura e 14 sobre Cotrim), enquanto o liberal se destaca na região de Lisboa (22%), com meia dúzia de pontos de vantagem sobre os dois principais rivais. No Norte, Cotrim e Ventura estão rigorosamente empatados no primeiro lugar (17,8%), com mais três pontos do que Seguro.

No que diz respeito aos dois outros favoritos para a segunda volta, partilham o pendor feminino no apoio, bem como melhores resultados entre os mais velhos. Ao nível da geografia, cada um tem o seu ponto fraco: Marques Mendes em Lisboa (11,9%) e Henrique Gouveia e Melo na Região Centro (10%). Nas classes sociais, de novo um ponto em comum: o apoio é maior entre os que têm rendimentos mais baixos.

Carregue nos candidatos para saber os resultados

Mendes incapaz de captar os votos das legislativas em Montenegro

Finalmente, ao ter em conta o voto nas legislativas de maio passado, mantém-se a tendência para uma grande dispersão de voto entre os eleitores da AD: Mendes só consegue captar três em cada dez votos de Luís Montenegro (a presença do primeiro-ministro no arranque da campanha não teve qualquer efeito prático a este nível). Tanto Cotrim Figueiredo como e Gouveia e Melo arrebanham dois em cada dez, e até Seguro e Ventura consegue a sua quota-parte de eleitores da coligação PSD/CDS.

No caso do PS, o seu ex-secretário-geral vai sedimentando o seu domínio. Partiu com pouco mais de quatro em dez e, nesta altura, já consegue mais de metade dos eleitores socialistas. O almirante continua a fazer mossa, com dois em cada dez votantes do PS a optarem pelo independente. O eleitorado mais fiel é o do Chega, com Ventura a conseguir quase sete em cada dez, na comparação com as legislativas. Mas agora é Cotrim o principal pretendente neste segmento, com um em cada dez votos a caírem para o liberal.

Tracking poll: Sondagem diária até 16 de janeiro

O JN publicará uma “tracking poll”, diariamente, até 16 de janeiro, último dia em que é permitida a publicação de sondagens. Poderá seguir a evolução das intenções de voto na edição online, sempre às 20.30 horas, ou na edição impressa. Um estudo de opinião que funciona de uma forma diferente do habitual. Arranca como qualquer outra sondagem, com uma amostra de cerca de 600 inquéritos, que representam o nosso universo eleitoral. A cada dia, acrescentam-se 200 entrevistas, retirando-se as 200 mais antigas. Ao fim de três dias, a amostra estará completamente renovada, relativamente ao dia de arranque. E assim sucessivamente até às vésperas da ida às urnas que, para usar uma frase feita, mas ne por isso menos verdadeira, é a “sondagem” que conta.

Ficha Técnica

Durante 3 dias (6, 7 e 8 de janeiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma sub-amostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o género, três cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos três últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±4,06%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de “telemóvel” mantendo a proporção dos três principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI- Computer Assisted Telephone Interviewing). O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha, bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1204 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 50,50%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC – Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.