O “Alpha News” foi o primeiro a publicar o vídeo no X, um clipe de 47 segundos que mostrava a perspetiva do agente do ICE e captou a voz de um homem a chamar Good, de 37 anos, de “cabra do c…” depois de ter sido mortalmente ferida. De seguida, o vídeo foi partilhado pela conta oficial da Casa Branca, bem como pelo vice-presidente dos EUA JD Vance.
BREAKING: Alpha News has obtained cellphone footage showing perspective of federal agent at center of ICE-involved shooting in Minneapolis pic.twitter.com/p2wks0zew0
– Alpha News (@AlphaNews) January 9, 2026
No vídeo, Good parece ser abordada enquanto está no lugar do condutor de um Honda Pilot parado. “Está tudo bem, pá”, diz Good através da janela aberta do condutor enquanto o agente que filmava o vídeo caminha em frente ao carro, passa pela janela aberta e chega à placa traseira. Ela continua e parece dizer: “Não estou zangada contigo”. O reflexo do agente torna-se visível na lateral do carro e ouve-se a voz de outra pessoa a dizer: “Ei, mostra a cara”. Essa pessoa parece ser a mulher de Good, Rebecca Good, que de seguida aparece a segurar o seu próprio telemóvel e diz: “Só para que saibas, não trocamos a matrícula todas as manhãs. Vai ser a mesma matrícula quando vieres falar connosco mais tarde”.
A pessoa refere ser cidadã americana e acrescenta: “Queres vir para cima de nós? Eu digo, vai almoçar, grandalhão. Vai em frente”. Depois, vira-se para entrar no lugar do passageiro do carro de Good, quando outro polícia se aproxima do lado do condutor a dizer: “Saia do carro. Saia do carro. Saia dessa m*** de carro. Saia do carro.”
O agente que filmava o vídeo volta a caminhar para a frente do carro de Good, do lado do passageiro para o lado do condutor. Good recua brevemente e conduz para a frente, virando para a direita, enquanto a mulher ao lado diz: “Conduz, querida, conduz.” O telemóvel do agente aponta então abruptamente para o céu. Os tiros são disparados sem que o polícia baixe o telemóvel.
De acordo com o jornal britânico “The Guardian”, o vídeo é consistente com um outro, no qual o agente é atingido pelo carro, que se move lentamente, e consegue manter o equilíbrio.
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Good foi atingida na cabeça e o veículo que conduzia colidiu com outros carros estacionados na rua, enquanto vários transeuntes lançavam insultos aos agentes federais.
“Na quarta-feira, 7 de janeiro, parámos para apoiar os nossos vizinhos. Tínhamos apitos. Eles tinham armas. Estávamos a educar o nosso filho para acreditar que, independentemente de onde se viesse ou qual a sua aparência, todos nós merecemos compaixão e bondade. A Renee vivia essa crença todos os dias. Ela é puro amor. Ela é pura alegria. Ela é pura luz. A Renee era cristã e sabia que todas as religiões ensinam a mesma verdade essencial: estamos aqui para nos amarmos uns aos outros, cuidarmos uns dos outros e mantermo-nos uns aos outros seguros e íntegros”, lê-se num comunicado entretanto divulgado por Rebecca Good.
A morte de Good foi a quarta causada por agentes migratórios desde que Trump lançou uma campanha de repressão à imigração. Outras sete pessoas ficaram feridas, segundo o “The Trace”, um veículo de comunicação que acompanha a violência com armas de fogo.