Luís Marques Mendes, candidato a Presidente da República, previu este sábado, 10 de janeiro, que todas as sondagens e análises se vão “enganar redondamente” quanto aos resultados no dia 18 de janeiro.

Hoje, em mais um dia de campanha pelo país para a eleição do próximo Presidente da República, Marques Mendes refutou as sondagens. O candidato apoiado pelo PSD encontrava-se em Viana do Castelo numa ação de contacto com a população, e disse aos jornalistas achar que “se vão enganar todos nisso [a propósito das sondagens], mas esperemos pelo dia 18, acho que se vão enganar todos redondamente, todos redondamente, mas eu respeito as vossas opiniões, mas depois fiquem com isso para depois contrastar no dia 18”.

André Ventura, candidato presidencial e líder do Chega, remeteu para “a consciência” do presidente do PSD e primeiro-ministro uma decisão sobre um eventual apoio à sua candidatura, num cenário de segunda volta que o oponha a António José Seguro.

“Eu não quero socialistas em lugar nenhum do país. Vai ser a consciência de Montenegro a decidir se numa segunda volta prefere ter alguém que não é do partido dele, mas que conseguiu trabalhar com ele em muitos diplomas fundamentais em prol do país, ou se quer ter um socialista que nós combatemos, que nós tentámos derrotar e que nós tentámos evitar que fosse Governo”, defendeu André Ventura.

André Ventura, que falava aos jornalistas no Mercado de Portalegre, antes de uma ação de campanha, considerou ainda que se Montenegro apoiar na segunda volta “o candidato do Partido Socialista, está a dizer aos eleitores que, na verdade, prefere como cargo máximo da nação e como condutor da nação um socialista. É completamente contrário ao trabalho que tem sido feito no Parlamento e ao caminho que temos feito que é de neutralizar o PS”.

O candidato apoiado pelo PCP, António Filipe, considerou este sábado que não pode ser acusado de impedir a convergência à esquerda e que essa responsabilidade pode ser atribuída a outras candidaturas que apareceram posteriormente.

“Não posso ser acusado de ter qualquer iniciativa no sentido da divisão, no sentido de impedir a unidade, impedir a convergência e, portanto, se essa responsabilidade pode ser assacada, será a candidatura que apareceram posteriormente”, afirmou Antonio Filipe, em Ermesinde, onde visitou o Clube Propaganda da Habitação.

Na sua opinião, “essas candidaturas devem ter o ónus de explicar porque é que não se identificam” com a sua, que já tinha sido apresentada.

O comentário de António Filipe surgiu depois de ter dito que a sua é a “candidatura de esquerda que vale a pena apoiar e com a qual vale a pena convergir” e de ter sido desafiado a apontar as diferenças entre a sua e a candidatura de Catarina Martins.

“Encontra desde logo o momento em que esta candidatura avança. Esta candidatura avança no momento em que não havia candidaturas de esquerda”, afirmou, lembrando que, na altura, tinham sido anunciados Luís Marques Mendes, Henrique Gouveia e Melo e António José Seguro.

O ex-deputado comunista não questiona “a legitimidade de outras candidaturas à esquerda que surgiram entretanto”.

Henrique Gouveia e Melo tem privilegiado o contacto com a população e, desde sábado passado, já marcou presença em feiras em Lisboa, Alijó, Mirandela, Viana do Castelo e Matosinhos.

Por onde passa, tem ouvido desejos de boa sorte e pedidos para por ordem no país, com muitas pessoas a elogiar a sua prestação enquanto coordenador do processo de vacinação durante a pandemia de covid-19 e a apontá-lo como o futuro Presidente da República de Portugal.

“Vai ter o meu voto, é preciso por disciplina [no país] e ser exigente com o Governo. Precisamos de gente forte”, disse hoje um homem na feira da Senhora da Hora, em Matosinhos.

O problema da saúde

Também a saúde entrou em força na campanha eleitoral. António José Seguro, em Braga, disse este sábado, dia 10, que “é inaceitável vivermos num país, no ano de 2026, em que morrem pessoas por falta de socorro”, referindo-se às mortes dos últimos dias devido a atrasos na chegada de ambulâncias, e defende um compromisso entre forças políticas com objetivos, metas e orçamentos que “perduram no tempo”.