A Alemanha está a discutir com aliados europeus a presença de forças da NATO na Gronelândia, perante às ameaças dos EUA em relação à região do Ártico, fundamentedas por razões de segurança. A informação é avançada pela Bloomberg este domingo. Já no sábado, o Telegraph noticiou que o Governo alemão está a planear uma operação conjunta da NATO num esforço para dissuadir o presidente americano de anexar a Gronelândia.
Os dois meios de comunicação social dizem que o Reino Unido também está envolvido. A ministra dos transportes britânica admite diligências na região, mas associa o tema à defesa contra Putin. “Embora não tenhamos visto as consequências terríveis nessa parte do mundo que vimos na Ucrânia, é realmente importante que façamos tudo o que pudermos com todos os nossos aliados da NATO para garantir que temos um dissuasor eficaz nessa parte do globo contra [o Presidente russo, Vladimir] Putin», disse Heidi Alexander à estação britânica BBC.
Em cima da mesa estará uma proposta da Alemanha para a criação de uma missão conjunta da NATO para proteger esta ilha autónoma que faz parte do Reino da Dinamarca e que tem ganho importância geopolítica nos últimos dias, sobretudo na sequência do presidente norte-americano ter afirmado que os Estados Unidos precisam de “possuir” a Gronelândia para impedir que Rússia ou China ocupem o território no futuro.
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Com esta iniciativa, Friedrich Merz, chanceler alemão, pretende “aliviar as tensões” com os Estados Unidos, de acordo com duas fontes próximas do governo alemão citadas pela Bloomberg. A missão da NATO permitiria assegurar a defesa do território contra eventuais ameaças russas ou chinesas invocadas pelo Presidente americano.
Embora Donald Trump pondere há muito tomar a Gronelândia, o foco na região intensificou-se nos últimos dias, após a captura do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. A ação gerou novos receios entre os aliados sobre a disponibilidade de Trump para destacar as forças militares dos EUA para atingir os seus objetivos de política externa.
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A missão “Baltic Sentry” da NATO, lançada há um ano para proteger infraestruturas críticas no Mar Báltico, poderá servir de modelo para uma nova missão “Arctic Sentry”, que incluiria a Gronelândia, afirmaram as mesmas fontes à Bloomberg.