Especialista explica por que o assoalho pélvico é essencial para a saúde

Pouco lembrada no dia a dia, a musculatura que sustenta órgãos e regula funções íntimas influencia o bem-estar físico e emocional ao longo da vida

Redação

11 Jan 2026 11:00

O assoalho pélvico é uma estrutura muscular localizada na base da pelve que sustenta órgãos como bexiga, útero e reto. Embora exerça papel central em funções essenciais do corpo, como o controle urinário e intestinal, a estabilidade postural, a respiração e a saúde sexual, ainda é pouco conhecido pela maioria das pessoas. Em geral, só entra no radar quando surgem sintomas que interferem no bem-estar cotidiano.



Formado por músculos, ligamentos e fáscias, o assoalho pélvico funciona como uma espécie de rede de sustentação. Ele se contrai e relaxa de maneira coordenada para permitir continência, evacuação, conforto durante relações sexuais e até a adaptação do corpo a esforços físicos. Quando perde força, elasticidade ou coordenação, pode desencadear uma série de desconfortos.

Entre os sinais mais comuns de que algo não vai bem estão escapes de urina ao rir, tossir ou praticar atividades físicas; sensação de peso ou pressão na região pélvica; dor durante ou após a relação sexual; dificuldade para evacuar ou segurar gases; além de dor íntima durante exames ginecológicos ou no uso de absorventes internos.



Segundo a fisioterapeuta especialista em saúde da mulher Daniella Leiros, esses sintomas não devem ser encarados como normais ou inevitáveis. “O assoalho pélvico participa de funções vitais do corpo. Quando algo não está funcionando bem, o organismo emite sinais claros de que precisa de atenção”, afirma.



Embora o tema seja frequentemente associado à gestação, ao pós-parto e ao climatério, alterações nessa musculatura podem surgir em qualquer fase da vida. Adolescentes podem apresentar dores íntimas ou dificuldade no uso de absorventes, mulheres jovens podem sentir desconforto durante as relações, homens também podem desenvolver disfunções, especialmente associadas à dor pélvica crônica, alterações urinárias ou ao período pós-cirúrgico, como após procedimentos na próstata.



A dor pélvica, em especial, costuma ter impacto que vai além do físico. Ela pode interferir na autoestima, nas relações afetivas, no desempenho profissional e na saúde emocional. Por isso, especialistas defendem que falar sobre o assunto e buscar orientação adequada é parte de uma abordagem mais ampla de cuidado com o corpo.



Nesse contexto, a fisioterapia pélvica tem ganhado espaço como estratégia de prevenção e tratamento. A abordagem envolve exercícios específicos, técnicas de fortalecimento ou relaxamento, consciência corporal, respiração, alongamentos e orientações individualizadas, de acordo com as necessidades de cada paciente. O objetivo é restaurar a função da musculatura e reduzir sintomas que comprometem a qualidade de vida.



Além do tratamento, a informação é considerada uma aliada importante. Conhecer o próprio corpo, identificar sinais precoces de alteração e romper tabus em torno da saúde íntima ajudam a evitar que quadros simples evoluam para problemas mais complexos. Exercícios incorporados à rotina, por exemplo, podem contribuir para o controle urinário, redução de dores e melhora da percepção corporal.



“Dor não é normal. Ninguém precisa conviver com desconforto. A fisioterapia pélvica é um caminho seguro para recuperar bem-estar e autonomia em qualquer fase da vida”, reforça Daniella Leiros.