Vários países europeus estão a discutir o lançamento de uma operação da NATO no Árctico para responder às preocupações de segurança dos Estados Unidos, numa altura em que cresce a inquietação europeia face à pressão do Presidente Donald Trump para assumir o controlo da Gronelândia.
O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, afirmou este domingo que as questões de segurança no Atlântico Norte devem ser discutidas no quadro da aliança atlântica. “Se o Presidente americano está preocupado com ameaças provenientes de navios ou submarinos russos ou chineses nesta região, podemos encontrar respostas em conjunto”, declarou Wadephul, durante uma escala na Islândia, a caminho de Washington, onde se reunirá com o Secretário de Estado Marco Rubio na segunda-feira.
Segundo a Bloomberg, a Alemanha vai propor a criação de uma missão conjunta da NATO para proteger a região do Árctico.
O ministro da Defesa belga, Theo Francken, defendeu igualmente uma operação da NATO no Árctico. “Temos de colaborar, trabalhar juntos e mostrar força e unidade”, afirmou à Reuters, sugerindo as operações Baltic Sentry e Eastern Sentry — que combinam forças de diferentes países com drones, sensores e outras tecnologias — como possíveis modelos para uma “Arctic Sentry” (Sentinela Árctica).
O Reino Unido classificou as conversações com outros membros da NATO sobre a dissuasão da actividade russa no Árctico como “rotina habitual”. A ministra dos Transportes britânica, Heidi Alexander, sublinhou que o Árctico “está a tornar-se uma região geopolítica cada vez mais disputada, com a Rússia e a China”, sendo expectável que os aliados discutam formas adicionais de desencorajar uma eventual agressão russa.
O diário britânico The Telegraph noticiou no sábado que chefes militares britânicos e de outros países europeus estão a elaborar planos para uma possível missão da NATO na Gronelândia, que poderia envolver o destacamento de tropas, navios de guerra e aeronaves britânicas.
Soberania da Gronelândia deve ser respeitada
Trump afirmou na sexta-feira que os Estados Unidos precisam de controlar a Gronelândia para impedir que a Rússia ou a China ocupem o território no futuro, argumentando que a presença militar americana na ilha é insuficiente. No entanto, não apresentou provas que sustentem as alegações sobre navios russos e chineses a operar junto da Gronelândia — algo que a Dinamarca contesta. Dados de rastreamento de embarcações de portais como o MarineTraffic ou a LSEG não mostram presença de navios chineses ou russos nas proximidades.
Wadephul foi claro quanto à questão da soberania: “No que respeita à soberania territorial, somos absolutamente claros: o futuro da Gronelândia tem de ser decidido pelo povo da Gronelândia.”
Os líderes da Dinamarca e da Gronelândia afirmaram que a ilha do Árctico não pode ser anexada e que questões de segurança internacional não justificam tal medida. Os Estados Unidos já mantêm presença militar na ilha ao abrigo de um acordo de 1951.
Um porta-voz da NATO disse na sexta-feira que o secretário-geral Mark Rutte conversou com Marco Rubio sobre a importância do Árctico para a segurança partilhada e sobre como a aliança está a reforçar as suas capacidades no extremo norte.