Por essa altura, Donald Trump estava na presidência dos Estados Unidos: na altura, já tinha uma retórica bastante dura contra a Venezuela. Em 2019, os norte‑americanos deixaram praticamente de importar petróleo venezuelano como resultado das sanções aplicadas pela Casa Branca. A situação piorou ainda mais e foi agravada pela pandemia da Covid-19.

A guerra na Ucrânia dividiu o mundo em blocos. A Rússia foi alvo de várias sanções internacionais, ficou isolada e procurou novas alianças: o regime venezuelano foi um deles. Num mundo mais hostil, a China voltou a fazer o mesmo e voltou a olhar para a Venezuela com outros olhos. Aprofundou a aliança e assinou, em 2023, uma “parceira estratégica para todas as situações” com Caracas — meses antes de Nicolás Maduro enfrentar as urnas.

Por esta altura, a Venezuela continuava a amortizar parte da dívida a Pequim. A China mantinha um forte interesse no petróleo venezuelano, mas mostrava‑se muito mais cautelosa em abrir novas linhas de crédito, preferindo proteger e gerir os investimentos que tinha feito no passado. Ainda assim, o regime chinês,  entre 2023 a 2025, era o responsável por 70 a 80% das exportações de petróleo da Venezuela.

O bloco anti-Ocidente também ia ganhando relevo: e a China olhava para a Venezuela cada vez mais sob o prisma do interesse geopolítico. Como escreve Antonio De La Cruz, membro do think tank Center for Strategic and International, o fortalecimento da aliança entre Pequim e Caracas “oferecia um aliado confiável” ao regime chinês: “A parceria beneficia a China na geopolítica, no equilíbrio de poder regional e nas organizações internacionais”.

Apesar de economicamente a aliança não estar tão forte como antes, a relação entre a China e a Venezuelana solidificou-se. Nicolás Maduro dizia que Xi Jinping era como se fosse “um irmão mais velho”. Na sequência das eleições presidenciais venezuelanas de 2024, Pequim voltou a apoiar o aliado e negou que tivesse havido fraude eleitoral. “A China felicita a Venezuela pelo sucesso das suas eleições presidenciais e felicita o Presidente Maduro pela sua reeleição”, reagiu o porta-voz da diplomacia chinesa, Lin Jian.

Sob forte pressão internacional, o reconhecimento da vitória de Nicolás Maduro em 2024 por parte da China conferiu-lhe uma certa legitimidade, em particular entre os países do Sul Global. A aliança continuou sólida durante o ano passado e tudo indicava que Caracas e Pequim manteriam o esquema que as beneficiava no futuro, mesmo com a China a evitar novos grandes empréstimos e a recorrer a redes opacas de transporte e intermediação para continuar a receber petróleo venezuelano sem se expor diretamente às sanções secundárias do Ocidente.