A ideia de que a Gronelândia teria pertencido a Portugal volta e meia reaparece em debates online, vídeos virais e publicações em redes sociais. Apesar da popularidade do tema, historiadores são claros: não há provas de que a Gronelândia tenha sido território português.

A confusão tem origem nas grandes navegações dos séculos XV e XVI. Registos históricos indicam que navegadores portugueses, como João Fernandes Labrador e os irmãos Gaspar e Miguel Corte-Real, exploraram áreas do Atlântico Norte, incluindo regiões hoje associadas ao Canadá e possivelmente zonas próximas da Gronelândia. Esses contactos alimentaram a tese de uma presença lusa mais ampla no Ártico.

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No entanto, presença ou exploração não equivale a soberania. Desde a Idade Média, a Gronelândia esteve ligada aos povos nórdicos, inicialmente sob a órbita do Reino da Noruega e, mais tarde, da Dinamarca, país ao qual permanece associada até hoje como território autónomo.

Especialistas explicam que Portugal, embora tenha sido uma potência marítima de relevo, não estabeleceu administração, colonização permanente ou reconhecimento internacional sobre a Gronelândia. “É um mito recorrente, baseado em viagens de exploração e mapas antigos, mas sem sustentação jurídica ou política”, afirma a historiografia dominante.

Assim, embora navegadores portugueses possam ter passado por mares gelados do norte, a afirmação de que a Gronelândia “já foi portuguesa” permanece no campo da curiosidade histórica — mais lenda do que facto.