Isaltino Morais estava a ler o discurso do telemóvel, o que o próprio admitiria ser um erro, mas não deixou de disparar em todas as direções para defender Gouveia e Melo, num discurso em que chegou a citar Barack Obama. Depois de ter passado o fim-de-semana todo a acompanhar o almirante, o autarca de Oeiras discursou perante um Teatro Diogo Bernardes em Ponte de Lima lotado e classificou João Cotrim Figueiredo como “queque de 3ª categoria”, André Ventura de “proto-ditadorzeco” e Marques Mendes de “moralista de goela”. Já quanto a Gouveia e Melo, Isaltino não tem dúvidas: é “Cristiano Ronaldo”.

O autarca de Oeiras tentou derreter, um por um, os principais adversários do almirante. Começou por atirar a João Cotrim Figueiredo, que diz ser o candidato “aventuras liberais de terceira categoria“, lembrando que os “candidatos queques não conhecem o país real“. Isaltino Morais diz que votar na pacotilha liberal é votar nos queques e acusa Cotrim de cinismo: “Durante a campanha dançam com velhotas, abraçam os pobres, beijam tudo. Se for preciso até cães. Depois da campanha, voltam para os salões de Lisboa e esquecem os pobres”.

Sobre André Ventura, Isaltino Morais pede que não se dê “o voto à direita reacionária. O que tem ele para oferecer a não ser ódio aos outros? Vamos votar num proto-ditadorzeco que trai a nossa história?” “.

Seguiu-se depois na carreira de tiro António José Seguro, a quem Isaltino chamou de “cinzento do politicamente correto”, que “nunca adianta nada”. Lembra que teve “colegas de partido que disseram que não estava a altura”, que agora são “os mesmos que agora dizem que, de todos é o menos mau.” Também deixa duras críticas a Marques Mendes que diz ser um político de “duas caras”, um “moralista de goela”, que cedo as pessoas perceberam que “não bastava”. “A campanha [de Marques Mendes] morreu”, decretou Isaltino Morais.

O autarca de Oeiras citou depois Luís Montenegro para lembrar que “há poucas semanas dizia que devíamos ser o Cristiano Ronaldo. O que entendi das palavras dele é que devemos ser a melhor versão de nós próprios. É por isso que estamos aqui, o nosso Ronaldo, Henrique Gouveia e Melo.” Isaltino Morais vai mais longe: “Tenho para mim que o próprio primeiro-ministro gostaria de estar aqui hoje. Ele gosta de estar entre os melhores. Há muita gente que apenas por disciplina partidária não está aqui connosco.”

O autarca de Oeiras diz que “a esperança é em momentos como o atual, como dizia Obama, uma ousadia. Nós somos os ousados que queremos mais. Que queremos melhor para nós e para os nossos concidadãos. Por isso é que temos de votar em Gouveia e Melo”.

Depois de Isaltino Morais, discurscou Henrique Gouveia e Melo que perguntou à sala e aos portugueses: “Se tivessem que atravessar o vale escuro, que candidato queriam ter ao lado?” O almirante começou por atirar-se aos “sicários” das outras candidaturas — que agora andam a “dizer que a conversa devia ser mais elevada” — questionando: “Andaram meses a atacar-me. Mais elevada desde quando? Só agora?”

O almirante voltou a atingir António José Seguro para dizer que Portugal não pode ter na chefia do Estado “indecisão”, nem alguém que “não tem a stamina certa para reagir a uma situação de crise”. Mais à frente no discurso, chama-lhe mesmo “falso socialista”.