A Mazda apresentou na Europa, mais precisamente no Salão de Bruxelas, o seu segundo veículo eléctrico moderno, o CX6e, que depois de ser comercializado na China desde 2025 (ainda que com a denominação EZ60), vai chegar ao mercado europeu em meados de 2026. Fabricado pela joint-venture a 50% que a Mazda e a Changan mantêm na China, o CX6e recorre à base que a Changan utiliza no seu Deepal S07, mas foi desenhado pelo construtor nipónico, assumindo-se como um dos mais atraentes modelos do segmento, à semelhança do que já aconteceu com a berlina 6e. Mas possui duas limitações que podem afastar alguns potenciais clientes.
O CX6e é um SUV mais comprido e maior entre eixos do que o Mazda CX60 com motor a combustão, anunciando uns generosos 4,921 m de comprimento e uns ainda mais respeitáveis 2,902 m de distância entre eixos. Como o Deepal S07, também oferece uma versão híbrida plug-in na China, pelo que tudo indica que esta plataforma é multienergia, suportando versões eléctricas, mas igualmente modelos electrificados com motores a combustão como unidade principal. De momento, e tal como foi apresentado em Bruxelas, o CX6e monta apenas um motor com 265 cv no eixo traseiro, que lhe permite atingir 185 km/h e ultrapassar 100 km/h ao fim de 7,9 segundos. Não são valores típicos de um desportivo, que o SUV da Mazda nunca reclamou ser, mas se não impressionam os mais exigentes, certamente não irão defraudar a maioria dos condutores.
O habitáculo do CX6e
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Incompreensivelmente, a Mazda monta apenas uma bateria com uma capacidade bruta de 78 kWh, pelo menos de momento, enquanto na berlina 6e propõe dois acumuladores, um mais pequeno (com 68,8 kWh) e outro maior (80 kWh), assegurando uma autonomia de, respectivamente, 479 km e de 552 km. Com uma bateria um pouco mais acanhada, uma carroçaria mais volumosa e um Cx menos apurado, o Mazda CX6e fica limitado a percorrer apenas 484 km entre visitas ao posto de carregamento, uma autonomia “curta” para um SUV destas dimensões.
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A esperança é que a bateria com 78 kWh seja apenas a mais pequena — como acontece na berlina 6e —, e que a oferta venha a ser posteriormente completada com um acumulador de maior capacidade, que eleve a autonomia para próximo dos 600 km. Contudo, é positivo que o CX6e seja capaz de carregamentos com uma potência de até 195 kW em corrente contínua (DC), bem acima dos valores aceites pela berlina 6e (90 kW na bateria grande e 165 kW na mais pequena). Assim, o construtor japonês que comercializa este SUV eléctrico fabricado na China tenta compensar uma menor autonomia com recargas mais céleres.
Os detalhes do interior do novo SUV da Mazda
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Em Bruxelas foi ainda possível confirmar que o CX6e oferece a mesma construção cuidada que já tínhamos apreciado na 6e, com materiais agradáveis à vista e ao tacto, além de um design moderno e atraente. A posição de condução parece correcta, mas o que salta à vista é a ausência do painel de instrumentos, como acontece nos Tesla, com o condutor a ser compensado com um ecrã central imenso de 26”, que certamente proporcionará as necessárias informações a quem está ao volante, em termos de velocidade, transmissão e tudo o resto que é prioritário, mais uma vez como acontece nos Tesla.
Resta conhecer os preços do CX6e em Portugal, sendo certo que, em igualdade de capacidade de bateria, motorização e equipamento, serão ligeiramente superiores ao Mazda 6e, que é comercializado entre nós por valores a partir de 40 mil euros. O modelo tem ainda de ultrapassar duas limitações pois, para além da magra autonomia para um modelo deste calibre, a volumetria da bagageira não impressiona. Oferecendo apenas 443 litros para bagagens (363 litros na mala atrás e 80 litros na frunk à frente), esta acanhada capacidade também pode afastar alguns compradores. Para se ter uma ideia, o modelo nipónico tem uma capacidade similar à de um Renault Scenic com somente 4,47 metros de comprimento, e menos mala do que um BMW iX3, que disponibiliza 578 litros (520+58) e possui um comprimento de apenas 4,782 metros de comprimento.