Questionado pelos jornalistas sobre as suas palavras, Cotrim assumiu a falta de clareza e disse não conseguir explicar o que lhe “passou pela cabeça” ao proferi-las, frisando que não houve qualquer estratégia por trás da afirmação.

“Qualquer coisa que dissesse mais iria fortalecer os meus adversários”, disse o eurodeputado, acrescentando que a ironia utilizada tinha por objetivo criticar a ideia de que alguma figura política possa mudar radicalmente de posicionamento em poucos dias por “motivos de oportunidade é falso”.

Cotrim reforçou que a única posição que devia ter expressado era que só admite cenários de segunda volta em que ele próprio esteja a participar, sublinhando que “o resto não me diz respeito” e que os portugueses terão tempo para ponderar o que disse agora em comparação com o que fez ao longo da sua carreira política.

A declaração surge em plena campanha presidencial, quando Cotrim, também antigo líder da IL, tem insistido que o seu “cenário base” é efetivamente alcançar a segunda volta – algo que ele próprio considera provável – mas que, caso não se concretize, não excluiria apoiar outros candidatos, incluindo figuras como André Ventura.

Polémica de assédio sexual

A polémica em torno de Cotrim de Figueiredo ganhou ainda maior dimensão depois de uma ex-assessora parlamentar da Iniciativa Liberal, Inês Bichão, ter divulgado nas redes sociais acusações de assédio sexual e comentários de cariz inapropriado que, alegou, teriam sido proferidos por Cotrim durante o tempo em que trabalharam juntos.

Em resposta, o candidato à Presidência rejeitou categoricamente as acusações, qualificando-as de “absolutamente falsas” e anunciando que irá avançar com um processo por difamação contra a ex-assessora. “Não percebo como é que em Portugal ainda há gente que acha que consegue fazer política desta maneira”, declarou, frisando que tem “consciência completamente tranquila” e que não tolerará o que considera ser uma tentativa de denegrir a sua candidatura.

A situação provocou reações públicas, incluindo uma carta aberta assinada por cerca de trinta mulheres que trabalharam com Cotrim ao longo dos anos, afirmando nunca terem presenciado comportamentos inadequados ou desrespeitosos durante esse tempo.

Sobre a relevância dos factos e o momento em que surgiram, Cotrim afirmou que, se a denúncia tiver motivações de “tática política contra a sua candidatura”, isso “não o vai dobrar”, afirmando que acordou “com força redobrada” para continuar a campanha.

Questionado ainda sobre o facto de a ex-assessora agora trabalhar para o Governo, Cotrim rejeitou que isso signifique uma implicação direta de partidos governamentais em prejudicar a sua imagem, limitando-se a criticar que “pode indiciar que o Governo tem pessoas que publicam mentiras”, mas reiterando que “não tem nada a esconder”.