Monitoramento constante das armadilhas influenciou na queda dos casos de dengue em Caxias do Sul. Rafael da Silva Carvalho / Divulgação
Os casos de dengue em Caxias do Sul em 2025 diminuíram 64% em relação a 2024, saindo de 269 infectados e um óbito para 97 casos e nenhuma morte pela doença. Segundo a Vigilância Ambiental do município, o motivo da redução foram a intensificação das fiscalizações e as ações de prevenção.
Em abril de 2025, o município entrou em estado de alerta devido ao aumento dos focos do mosquito Aedes aegypti nos bairros. Comparado com todo o ano de 2024, houve um crescimento de 67% nas identificações, de 899 para 1.501. Entretanto, a diretora da Vigilância em Saúde, Magda Beatris Teles, explicou que isso se deve à fiscalização contínua das equipes.
— Conseguimos executar um maior número de visitas, houve um chamamento de mais profissionais e também fizemos a descentralização dos agentes de endemias para as unidades básicas de saúde (UBSs). Desta forma, acabamos gerando mais visitas, mais vigilância e o resultado foram mais focos identificados e eliminados — pontuou Magda.
Ao todo, foram realizadas 188.289 visitas. Desse total, 148.306 foram visitas gerais a imóveis dos bairros da cidade, 33.238 durante inspeções do Levantamento Rápido de Índice de Infestação (LIRAa), 4.114 em pontos estratégicos monitorados quinzenalmente e 2.631 inspeções em armadilhas ovitrampas (recipientes com água e uma palheta de madeira, onde a fêmea deposita os ovos).
Outra medida que auxiliou na redução dos casos foi o início das ações de prevenção a partir da identificação do foco pelas armadilhas e não somente quando era confirmado algum caso. Junto disso, a aproximação dos agentes de endemias nas comunidades facilitou os processos de fiscalização.
— Com a presença das ovitrampas e com os agentes indo para a Atenção Primária, eles se aproximaram mais dos moradores, sendo reconhecidos nos territórios, o que acabou fortalecendo essa relação e essa vigilância diretamente nas comunidades — salientou Magda.
A questão da aplicação de inseticidas em prédios públicos, principalmente em escolas municipais e espaços de saúde, como UBSs e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), também corroborou para a queda de casos.
— Iniciamos essa estratégia em 2024 e seguimos em 2025. Hoje, a gente faz em todas as unidades de saúde, em todas as escolas e em locais de grande circulação de pessoas, aplicando o produto nas paredes e evitando um novo surto da doença — explicou.
As mesmas estratégias seguirão para este ano, mas a diretora da Vigilância celebrou os dados registrados em 2025.
— Antes, a gente estava “apagando incêndio”, indo fazer o tratamento onde tinha doença. Agora, estamos conseguindo trabalhar com a prevenção também — disse.
O setor reforça, porém, que a participação da comunidade segue sendo fundamental para manter os índices baixos e evitar a proliferação do mosquito, como separar 10 minutos por semana para revisar o pátio e áreas externas, permitir a entrada dos agentes de combate às endemias para vistorias e denunciando possíveis focos aos canais oficiais do município.
Perfil dos casos de 2025
No total, houve 246 notificações em 2025 em Caxias do Sul. Porém, somente 97 casos foram confirmados. Destes, 65 foram autóctones (o que significa que o paciente contraiu a doença no município).
A faixa etária mais infectada foi a de 30 a 39 anos, seguida dos 40 aos 49 anos. Além disso, o bairro que mais registrou focos do mosquito foi o Fátima, com 122 ocorrências, acompanhado do São Caetano, com 81, e do Santa Fé, com 76.
Os que registraram somente um foco foram Ana Rech, Bom Pastor, Campos da Serra, Glória, Linha 40, Loteamento Balardin, Planalto/Vila Mari, Santa Lúcia Do Piaí e São Bernardo Franzoi.
Como prevenir
- Elimine água parada, vire garrafas, baldes e vasos; mantenha ralos limpos e com tela.
- Caixa-d’água sempre bem vedada, tampas mal ajustadas são focos comuns do mosquito.
- Retire os pratinhos de plantas, evitando o acúmulo de água.
- Calhas limpas e desobstruídas, principalmente após chuvas.
- Lixo bem fechado e descartado corretamente, evitando recipientes que acumulem água.
- Bandejas de ar-condicionado e geladeiras devem ser esvaziadas e higienizadas regularmente.
- Piscinas tratadas com cloro e cobertas quando não estiverem em uso.