Com quatro horas e trinta e cinco minutos de duração, a versão integral da saga “Kill Bill” chega às salas de cinema nacionais a 12 de março, mais de 20 anos depois da estreia dos dois volumes originais no cinema.
Intitulado “Kill Bill: The Whole Bloody Affair”, o filme será exibido tal como foi pensado pelo realizador norte-americano, contando, de uma assentada “toda a história sangrenta” de Beatrix Kiddo, protagonizada por Uma Thurman. A “Noiva”, como também é conhecida, acorda de um coma de quatro anos e embarca numa epopeia de vingança contra os antigos colegas do Esquadrão Assassino de Víboras Mortais (Deadly Viper Assassination Squad) e do seu líder, Bill, que a traiu e abandonou à beira da morte no dia do seu casamento.
Esta versão prolongada combina os dois volumes, lançados nos EUA no outono de 2003 e na primavera de 2004, respetivamente. A narrativa original foi dividida em duas, com cinco capítulos cada uma (num total de 10, como é habitual nas obras de Tarantino), contados sem ordem cronológica, — agora novamente fundidas numa só linha narrativa, inspirada nos filmes samurais, nos grindhouse e nos western spaghetti.
“The Whole Bloody Affair” apresenta não só alterações visuais, mas também mudanças na construção dramática: a sequência animada sobre o passado de O-Ren Ishii (Lucy Liu) tem mais sete minutos e meio que a exibida em “Kill Bill: Volume 1”, e remete, de forma mais evidente, para os antigos filmes sobre as Yakuza (organizações criminosas japonesas, semelhantes à Máfia e com códigos de honra e rituais com raízes no Japão feudal).
Já a sequência “House of Blue Leaves”, que na primeira parte decorre parcialmente a preto e branco, passa a ser exibida a cores, onde a coreografia da luta e os excessos estilísticos definidos por Tarantino se tornam mais exuberantes. A nova montagem inclui ainda planos inéditos e variações de cenas, que mudam o ritmo e as relações entre algumas personagens.
Por outro lado, foram cortados dois segmentos que deixaram de fazer sentido: o momento de tensão no final do primeiro volume e o resumo que introduz o segundo, uma vez que a narrativa decorre sem hiatos. Isto se o descontarmos o intervalo a meio da sessão, a forma encontrada pelos distribuidores para que os espectadores aguentem mais de quatro horas e meia imersos na sangrenta jornada de vingança de Beatrix Kiddo.