Operadora explica por que motivo não tem rede no Metro de Lisboa, ao contrário do que acontece no Metro do Porto. Por outro lado: anuncia que não vai mexer nos preços dos seus serviços

A DIGI Portugal organizou um pequeno-almoço esta terça-feira com jornalistas dos principais meios de comunicação em Portugal. Esta foi a primeira grande interação dos responsáveis da marca de telecomunicações com a imprensa nacional e deveu-se à necessidade de fazer um “grande anúncio”, como explica Emil Grecu, CEO da DIGI Portugal: “Não aumentámos os preços em 2026″.

Ao contrário da tendência de MEO, NOS e Vodafone de inflacionar os preços dos pacotes de telecomunicações ao final de cada ano consoante o valor da inflação, Emil Grecu diz que a DIGI decidiu não fazê-lo de forma a garantir a “estabilidade e confiança dos consumidores”. “Queremos manter esta estratégia – que já temos noutros países como Espanha, Itália, Roménia ou Bélgica.”

Fechado o segundo ano civil desde a entrada efetiva da operadora romena no mercado, a 4 de novembro de 2024, o CEO da DIGI Portugal refere que objetivo passa agora por “garantir aos consumidores uma melhora da cobertura”.

Questionada a dado momento sobre se considera ou não que “existe uma cartelização das telecomunicações em Portugal”, Dragos Chivu, CCO da DIGI Iberia, responde assim: “Não somos economistas, não colocamos rótulos”. Dragos acrescenta que a chegada da DIGI a Portugal fez com que o “equilíbrio” instalado no mercado fosse obrigado a “mover-se”.

“O interessante para os consumidores é aumento da competividade que a DIGI conseguiu trazer ao mercado português”, refere o responsável da DIGI Iberia. “Nós viemos para ficar muito tempo.”

“Duas folhas A4”

Valentin Popoviciu, chefe de estratégia e operações de DIGI, começa explicar que no Metro do Porto a DIGI “construiu a sua própria infraestrutura e que está a tentar fazer o mesmo no Metro de Lisboa”, mas o processo continua praticamente parado e em fase de negociações.

“A maneira como temos sido tratados pelas autoridades não tem sido a melhor. Discutimos há mais de dois anos com as autoridades do Metro de Lisboa, mas dizem que não temos autorização para colocar o nosso próprio sistema e que tínhamos de utilizar o sistema dos outros operadores”, interrompe Emil Greco – o CEO diz que já explanaram a situação aos seus concorrentes e que a resposta foi que a DIGI não se podia juntar ao sistema já existente e que teria de ser construída uma nova infraestrutura. 

A DIGI Portugal assume que está disposta a colocar o seu próprio sistema ou um sistema transitório que possibilite ao clientes ter rede tanto nas estações como nos túneis enquanto não há um entendimento, mas afirma que o Metro de Lisboa não concorda e recusa ter dois sistemas similares. “Não nos deixaram colocar uma solução temporária, que eram duas caixas do tamanho de duas folhas A4, em cada estação”, afirma o CEO da DIGI Portugal, acrescentando que, além deste sistema transitório, só seria necessário uma cedência de “energia do Metro, similar à necessária para acender uma lâmpada,” para que houvesse rede da DIGI nas estações e túneis”.

“Dissemos à autoridade do metro que isto é inaceitável, não podemos estar mais um ano sem rede no Metro de Lisboa”, critica Emil Grecu, lembrando que “ter mais do que um sistema faz com exista redundância, o que é positivo em prol da resiliência” de qualquer infraestrutura tecnológica.

Este é um dos “objetivos principais para 2026”: resolver este “problema”, afirma o CEO da DIGI Portugal.

No entendimento da empresa romena, este bloqueio à expansão da cobertura de telecomunicações é ilegal face à legislação europeia – mas a DIGI não vai avançar com qualquer tipo de processo judicial, porque “demoraria anos a ser decido”.

“DIGI Portugal já é um empregador considerável”

A DIGI estima que no final de 2026 a sua rede tenha um tamanho em tudo equiparável à dos principais concorrentes, realçando que até ao momento tem 4.600 antenas transmissoras de rede 4G, sendo que 2.600 já têm cobertura 5G. Para o ano está prevista a implementação de mais 500 pontos transmissores.

Valentin Popoviciu destaca que, no total, a DIGI já conta em Portugal com mais de 1.500 funcionários, duas lojas físicas – na Amadora e no Porto – e 55 stands de vendas espalhados por todo o país. O chefe de estratégia e operações da DIGI realça que a operadora romena é hoje “um empregador considerável” a nível nacional.

“Não estamos aqui pelos títulos na imprensa, mas para o futuro: gostava de repetir que não vamos aumentar os preços”, afirmou depois..

Quanto a números de clientes, os dados mais recentes são os do último trimestre de 2025, em que a operadora romena registava 813 mil serviços ativos, incluindo 443 mil números móveis e 150 mil clientes com fibra ótica, dos quais 128 mil também tinham serviço de TV contratualizado.

Em termos do volume do investimento já feito em Portugal, lucros ou gastos, os representantes optaram por não revelar qualquer dado. “Não avanço com um número porque não é importante para os consumidores, importante é manter a qualidade do serviço”, justifica Emil Grecu.