Wagner Moura foi um dos grandes destaques da 83.ª edição dos Globos de Ouro, que decorreu no passado domingo, 11 de janeiro, em Los Angeles, nos EUA. O ator brasileiro conseguiu o feito histórico de vencer o prémio de Melhor Ator em Filme de Drama, com “O Agente Secreto”, que também arrecadou o galardão de Melhor Filme em Língua Estrangeira. No entanto, não foi apenas o discurso ou a distinção que deram que falar: o look escolhido pelo ator chamou igualmente a atenção, em especial os sapatos Tabi, uma escolha tão icónica quanto polémica.

Assinado pela Maison Margiela, o modelo com a divisão entre os dedos — muitas vezes comparado a uma “pata de camelo” — continua a provocar debates sobre estética, identidade e moda. Para uns, é uma afirmação artística e de personalidade. Para outros, um detalhe difícil de ignorar. Seja como for, não deixa ninguém ficar indiferente. No site da Farfetch, a marca francesa tem um modelo semelhante à venda por 995€.

Ao surgir nos Globos de Ouro com este modelo nos pés, Wagner Moura não escolheu apenas um sapato — assumiu uma peça carregada de história, simbolismo e provocação, provando que, mesmo num dos palcos mais formais de Hollywood, a moda continua a ser uma poderosa forma de expressão.

O look de Wagner Moura.

Apesar de hoje serem associados à marca francesa, os Tabi (nome dado ao modelo) têm uma origem muito anterior ao que entendemos como sendo a moda ocidental da atualidade. O design surgiu no Japão, no século XV. Inicialmente sob a forma de meias de algodão usadas pela elite, distinguiam-se pela separação do dedo grande dos restantes e funcionavam como símbolo de estatuto. Com o passar do tempo, evoluíram para versões mais práticas e resistentes, adotadas também por trabalhadores.

Foi apenas nos anos 80 que o modelo ganhou uma nova vida no universo da moda europeia. Martin Margiela apresentou as primeiras botas Tabi no desfile de estreia da sua marca, em Paris, em 1988.

Na passarela do evento, as solas deixavam marcas vermelhas no chão branco — um gesto provocador que ajudou a fixar o modelo na memória coletiva da indústria. Desde então, tornaram-se uma das criações mais reconhecíveis do designer de moda belga.

Durante décadas, os Tabi oscilaram entre o culto “underground” e o “mainstream”. Foram alvo de amor e ódio, apareceram nos pés de celebridades e ganharam nova força com a ascensão das redes sociais, sobretudo a partir dos anos 2010. Atualmente, existem em múltiplas versões — de botas a sapatilhas, sandálias ou sabrinas — e continuam a dividir opiniões.

Das passarelas para as ruas, os Tabi tornaram-se um verdadeiro símbolo de irreverência no street style. Já foram vistos nos pés de Dua Lipa, Zendaya, Rihanna, Kylie Jenner, Anya Taylor-Joy, Emma Chamberlain, Olivia Rodrigo e até Bad Bunny, provando que o modelo atravessa géneros, estilos e gerações. Entre looks descontraídos, conjuntos oversized e produções mais arrojadas, continuam a dividir opiniões — e é precisamente aí que reside a sua força.

Maison Margiela te vindo a reforçar o estatuto emblemático do modelo ao longo dos tempos, levando-o a colaborações de peso. A mais recente juntou a silhueta Tabi às icónicas solas vermelhas da marca Louboutin, numa coleção cápsula, lançada em março de 2025, que voltou a colocar o calçado na boca do mundo.

Maison Margiela x Louboutin.