As negociações entre a Galp e a Moeve (antiga Cepsa) para a fusão da área de postos de combustíveis e de refinação, foi comunicada ao Governo, e a primeira reacção, assumida pelo Ministério da Economia, é de aviso. “Em causa estão activos estratégicos para o abastecimento energético nacional”, assume o ministério tutelado por Manuel Castro Almeida, em comunicado divulgado esta quarta-feira.
O ministério dá conta que “o Governo foi informado sobre o início das negociações entre a Galp e a Moeve, para a junção de parte dos activos e da intenção de criar duas novas plataformas empresariais: uma dedicada ao retalho de combustíveis e mobilidade, e outra dedicada à indústria petroquímica e de refinação”.
O Governo diz estar atento ao eventual negócio, lembrando que “o Estado detém uma participação qualificada de 8,24% na estrutura accionista da Galp, através da Parpública – Participações Públicas”.
“Estando em causa activos estratégicos para a soberania energética nacional, sustentabilidade ambiental, concorrência e defesa dos consumidores, e sem prejuízo de se tratar de um potencial negócio entre empresas privadas, o Governo permanece atento ao desenrolar das negociações”, refere ainda o comunicado.
A tentativa de fusão de negócios foi recentemente anunciada ao mercado. “A Galp e os accionistas da Moeve, Mubadala Investment Company e The Carlyle Group, chegaram a um acordo não vinculativo para avançar com discussões detalhadas sobre a potencial junção dos seus portefólios de downstream, com o objectivo de criar duas empresas líderes de energia na Península Ibérica: a RetailCo e a IndustrialCo”, refere o comunicado então divulgado.
Visões diferentes entre ministérios
O ministro da Economia e Coesão Territorial e a ministra do Ambiente e Energia têm, pelo menos aparentemente, uma visão distinta sobre o interesse do potencial negócio, a avaliar por declarações recentes de Maria Graça Carvalho. “Estamos conscientes das vantagens e possíveis desvantagens, mas estamos convencidos que vai ser positivo”, afirmou a governante ao ECO/Capital Verde, esta terça-feira.
Apesar de salvaguardar que se trata de uma matéria “a acompanhar de muito perto” entre as tutelas do Ambiente, das Finanças e da Economia, a ministra não deixou de realçar que o negócio traz uma “massa crítica grande” à Galp, tornando-a “uma empresa muito grande a nível ibérico e a nível mundial”.
Questionada pela publicação online sobre “uma eventual preocupação” de que este negócio afecte a soberania energética nacional – um dos pressupostos em cima da mesa é que a Galp ficará com 20% da entidade que juntará os activos industriais das duas petrolíferas, o que inclui a refinaria de Sines –, a ministra reforçou a sua visão optimista: “Nós ganhamos o controlo de duas outras [refinarias]“, realçou, referindo-se à posição que a Galp passa a ter nas duas refinarias da ex-Cepsa.
O único comunicado divulgado até ao momento pela empresa portuguesa refere um “acordo não vinculativo”, bem como o início de “discussões detalhadas” para uma “potencial junção”. Este nível de informação ainda não permite perceber que autorizações prévias serão necessárias para a concretização do hipotético negócio, quer a nível nacional, incluindo da Autoridade da Concorrência, quer a nível comunitário.
O maior accionista da Galp Energia é o grupo português Amorim Energia, com uma participação de 36,7%, que já se manifestou favorável à operação.
Do lado da Moeve, os dois maiores accionistas são o fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, o Mubadala, e o grupo americano de investimento Carlyle.
Cotada na bolsa de Lisboa, as acções da Galp seguiam esta quarta-feira, pelas 10h30, a negociar em queda muito ligeira, mantendo-se próximas no nível atingido após a forte valorização conseguida na sequência do anúncio das negociações com o concorrente ibérico, a 8 de Janeiro, que atiraram o valor de cada título acima dos 16 euros.