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https://www.archdaily.com.br/br/1037632/casa-para-maria-metriq-estudio
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Área
Área deste projeto de arquiteturaÁrea:
37 m² -
Ano
Ano de conclusão deste projeto de arquiteturaAno:
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Fotógrafo
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Fabricantes
Marcas com produtos usados neste projeto de arquiteturaFabricantes: Edimca
“Casa Para Maria” nasceu sem orçamento, em um contexto adverso, mas com uma ideia clara. Localizada no bairro popular La Gatazo, ao sul de Quito, surge no cenário pós-pandemia como resposta ao abandono de uma idosa cuja habitação estava à beira do colapso. O projeto foi concebido como um exercício de empatia, entendida não apenas como desenho, mas como ação, autogestão e compromisso social.
© Alex Santander
© Alex Santander
Desenvolvido sem fins lucrativos e ainda em etapa estudantil, o projeto tornou-se possível graças à articulação entre profissionais, vizinhos, instituições e empresas, evidenciando o papel ativo que a arquitetura pode assumir em contextos de vulnerabilidade. O processo iniciou-se com recursos mínimos: uma fundação pré-existente, materiais doados e mão de obra voluntária. Essas condições constituíram os pontos de partida que orientaram cada decisão projetual. Por meio de uma campanha de gestão de recursos — que incluiu solicitações a empresas, apoio institucional e crowdfunding — foi possível arrecadar cerca de 90% do orçamento necessário. As doações, tanto materiais quanto financeiras, não apenas viabilizaram a obra, como também influenciaram diretamente sua configuração espacial e construtiva.
O programa e a distribuição foram definidos a partir da compreensão da vida cotidiana de sua usuária, priorizando rotinas, necessidades e capacidades. A habitação organiza-se em três blocos interconectados: descanso, serviços e um espaço misto aberto para o exterior. Este último, concebido como sala de jantar-pátio, torna-se o coração do projeto, diluindo o limite entre interior e exterior e acolhendo tanto Maria quanto o sol que a abriga e os animais que a acompanham.
© Alex Santander
© Alex Santander
© Alex Santander
O conforto interno foi uma premissa central. O bloco de cimento, material integralmente doado, tornou-se o principal recurso construtivo, não como escolha formal, mas como condição de partida. A partir de suas propriedades, foram exploradas suas capacidades térmicas, estruturais e espaciais, utilizando-o tanto em fechamentos autoportantes quanto em elementos permeáveis. A cobertura translúcida permite a entrada controlada de luz e calor, enquanto o tramado, construído com o mesmo bloco, regula a ventilação, proporciona privacidade e reforça a segurança. Em coerência com essa lógica de aproveitamento, construiu-se um forro, restauraram-se móveis existentes e fabricaram-se novos com os materiais disponíveis, evitando desperdícios e consolidando uma estratégia de economia circular.
Construída em quatro meses, “Casa Para Maria” transcende a escala doméstica não por sua capacidade de se repetir, mas pela forma como se aproxima de um conjunto específico de condições. Longe de propor uma solução replicável, o projeto assume a arquitetura como um exercício situado. A situação de Maria não é excepcional, mas representativa de uma problemática extensa e persistente em contextos de vulnerabilidade, frequentemente invisibilizada em uma cidade que avança rapidamente. Nesse sentido, o projeto propõe voltar o olhar para essas realidades, lembrando a capacidade da arquitetura de transformar espaços e vidas, mas evidenciando também seus limites quando as condições estruturais e as políticas públicas necessárias permanecem fora do alcance da disciplina.





© Alex Santander
Corte 2
Planta
Corte 1
Fachada
Isométrica