O essencial:
Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados não é apenas uma tendência alimentar: pode ser uma estratégia simples para envelhecer com mais saúde.
Estudos recentes indicam que uma alimentação baseada em alimentos frescos e minimamente processados está associada a melhor saúde física e mental ao longo dos anos, menor risco de doenças crónicas e maior qualidade de vida na idade adulta.
Menos ultraprocessados, mais anos com qualidade
Os alimentos ultraprocessados fazem parte do dia a dia de muitas pessoas. Bolachas, refrigerantes, refeições prontas, cereais açucarados ou snacks embalados são práticos, acessíveis e apelativos. No entanto, a ciência tem vindo a alertar para os seus efeitos a longo prazo.
De acordo com uma análise, publicada no site The Conversation, baseada em dados de vários estudos internacionais, o consumo elevado de alimentos ultraprocessados está associado a um envelhecimento menos saudável. Isto inclui maior probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, declínio cognitivo e perda de mobilidade com o avançar da idade.
Os investigadores analisaram padrões alimentares ao longo do tempo e concluíram que quem consome menos ultraprocessados tende a manter melhor função física e mental à medida que envelhece, comparativamente a quem baseia grande parte da alimentação neste tipo de produtos.
O que são, afinal, alimentos ultraprocessados?
São produtos industriais que passam por múltiplos processos e contêm ingredientes pouco usados numa cozinha doméstica, como aditivos, corantes, aromatizantes, emulsificantes e grandes quantidades de açúcar, sal e gorduras refinadas.
Além de pobres em nutrientes essenciais, estes alimentos estão associados a inflamação crónica, alterações metabólicas e desequilíbrios na saúde intestinal, fatores que influenciam diretamente o processo de envelhecimento.
A ligação entre alimentação e envelhecimento saudável
Segundo os autores do artigo, envelhecer de forma saudável não significa apenas viver mais anos, mas viver mais tempo com autonomia, energia e bem-estar. Uma alimentação rica em frutas, legumes, leguminosas, cereais integrais, peixe e gorduras saudáveis está associada a melhores indicadores de saúde ao longo da vida.
Por outro lado, dietas dominadas por ultraprocessados tendem a acelerar processos associados ao envelhecimento precoce, como perda de massa muscular, declínio cognitivo e aumento do risco de doenças crónicas.
A boa notícia? Nunca é tarde para mudar. Mesmo pequenas reduções no consumo de ultraprocessados podem ter impacto positivo na saúde a médio e longo prazo.
Como reduzir os ultraprocessados sem complicar
Não é preciso mudar tudo de um dia para o outro. Algumas estratégias simples incluem:
- Optar por alimentos frescos ou minimamente processados sempre que possível
- Ler rótulos e evitar listas de ingredientes longas e difíceis de reconhecer
- Cozinhar mais vezes em casa, mesmo receitas simples
- Substituir snacks embalados por fruta, iogurte natural ou frutos secos
- Reduzir gradualmente refrigerantes, doces e refeições prontas
O que é importante reter
- Comer menos alimentos ultraprocessados está associado a um envelhecimento mais saudável
- Estes produtos aumentam o risco de doenças crónicas e declínio físico e cognitivo
- Uma alimentação baseada em alimentos frescos ajuda a manter autonomia e qualidade de vida
- Pequenas mudanças alimentares podem fazer diferença a longo prazo
- Envelhecer melhor começa nas escolhas do dia-a-dia